LONGEVIDADE E NUTRIÇÃO

Consumir menos proteínas pode trazer benefícios à saúde e prolongar a vida

Whey protein e produtos proteicos em uma prateleira.
Shakes proteicos com whey se popularizaram nos últimos anos. — Foto: Pexels

Estudo revisa o consumo do nutriente e alerta para os riscos do excesso proteico em pessoas sedentárias; personalização da dieta é fundamental.

A ingestão de proteínas, componente central de dietas populares e produtos industrializados, pode precisar de uma revisão para boa parte da população. Uma análise abrangente, que reuniu mais de 350 estudos científicos, indica que a restrição deste nutriente está associada a benefícios significativos para a saúde e pode contribuir para o prolongamento da expectativa de vida.

Os resultados, publicados na revista Cell Press Blue, investigaram como o metabolismo reage à ingestão proteica. Diferente do que se difundiu com a popularização de suplementos como o Whey, o levantamento sugere que o consumo excessivo, comum em indivíduos sedentários, pode sobrecarregar o organismo em vez de oferecer apenas vantagens.

Segundo os especialistas envolvidos, reduzir a ingestão de proteínas atua positivamente ao promover uma série de ajustes biológicos. Entre os benefícios observados, destacam-se a melhora no metabolismo, a otimização da resposta das células aos nutrientes, a redução de danos celulares e a preservação do funcionamento celular saudável.

Impactos no organismo

Dudley Lamming, pesquisador da Universidade de Wisconsin-Madison, aponta que a proteína é essencial para o crescimento muscular e a recuperação em pessoas ativas, mas adverte sobre os efeitos colaterais em quem mantém pouco movimento. "Como a maioria das pessoas é relativamente sedentária, muitas provavelmente estão consumindo mais proteína do que realmente precisam, o que pode ter consequências negativas para a saúde", analisa Lamming.

Ensaios clínicos realizados recentemente com humanos revelaram que a redução no consumo proteico, mesmo quando acompanhada de uma ingestão calórica mais elevada, foi capaz de promover a perda de peso e de gordura, além de melhorar a glicemia em jejum. O estudo identifica que o aumento do hormônio FGF21, desencadeado pela restrição proteica, auxilia no gasto energético e no controle de inflamações.

Personalização necessária

Apesar das descobertas, os autores enfatizam que as evidências não sugerem uma restrição universal. Grupos específicos, como gestantes e parte da população idosa, possuem necessidades proteicas elevadas para prevenir a perda de massa muscular, um ponto também reconhecido por autoridades de saúde dos Estados Unidos.

Para Lamming, a mensagem principal é a necessidade de cautela. Atletas e pessoas fisicamente ativas conseguem metabolizar melhor grandes quantidades de proteína sem apresentar os riscos metabólicos encontrados no público sedentário. "Provavelmente precisamos personalizar as recomendações de ingestão de proteínas levando em conta não apenas a idade, mas também o nível de atividade física de cada pessoa", conclui o pesquisador.

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