CRISE NA NICARÁGUA
Coalizão Democrática Nicaraguense condena fim das eleições determinado por Ortega
Oposição alerta que a decisão do governo consolida um regime dinástico e pede pressão internacional imediata para evitar o isolamento democrático regional.
A Coalizão Democrática Nicaraguense (CDN) condenou a decisão de Daniel Ortega de encerrar a realização de eleições no país, medida que, segundo o grupo, consolida um modelo de governo autoritário, permanente e dinástico. A declaração foi divulgada após o mandatário descartar novos pleitos durante as celebrações do 47º aniversário da Revolução Sandinista, no último fim de semana.
Ao rejeitar a possibilidade de votações futuras, sob o argumento de impedir que a oposição retome o poder, o governante provocou reação imediata das instituições internacionais. Seguindo o anúncio, a Assembleia Nacional da Nicarágua informou na terça-feira (22) que iniciará a elaboração de um plano de trabalho para alinhar as normas locais às diretrizes presidenciais.
A preocupação central da oposição reside no impacto humano da medida. O documento assinado pela CDN e outras sete organizações adverte que o silenciamento das urnas tende a intensificar a repressão, o exílio e a migração forçada, deteriorando a segurança democrática em todo o bloco das Américas. Para os críticos, a normalização desse cenário cria um precedente perigoso que afeta a estabilidade regional.
A crise institucional na Nicarágua reflete o domínio exercido pelo casal Ortega-Murillo, que controla as Forças Armadas e o Judiciário. O Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Turk, reiterou que o espaço cívico no país está praticamente fechado, com perseguição sistemática a vozes independentes. Além disso, nomes como o secretário de Estado americano, Marco Rubio, classificaram a decisão como o abandono total de qualquer pretensão de consentimento popular.
A CDN, movimento nascido em 2021 a partir do que era conhecido como Grupo Monteverde, defende que a única solução sustentável para a crise exige eleições livres, transparentes e acompanhadas por observadores internacionais. Até o momento, o governo não sinalizou abertura para reverter a medida, que se consolida com a estrutura de poder vigente.
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