CASO MASTER ABALA PT

Caso Master abala "República da Bahia" do PT; investigação apura vínculo familiar e empresarial

Foto ilustrativa da Polícia Federal realizando operação.
Operação Compliance Zero mira líderes políticos e investiga elos com o Banco Master.

Investigação da Polícia Federal mira entorno familiar e empresas ligadas a Jaques Wagner e ao Banco Master. Temor de reflexos eleitorais no estado e na pré-campanha presidencial.

A Polícia Federal deflagrou, na última quinta-feira (19), a 9ª fase da Operação Compliance Zero, com o objetivo de investigar um possível vínculo entre o entorno familiar e empresas ligadas ao liquidado Banco Master e o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).

A investigação gerou preocupação imediata dentro do Partido dos Trabalhadores, especialmente em relação ao que se convencionou chamar de "República da Bahia". Segundo o analista de Política da CNN Pedro Venceslau, o clima no comitê da pré-campanha presidencial está "bastante pesado", com integrantes evitando discussões sobre o tema. A leitura predominante indica receio direto tanto para o governo quanto para a corrida presidencial.

A força política do PT na Bahia é consolidada. O estado concentra o maior número de gestões consecutivas do partido no Brasil, com cinco mandatos seguidos: Jaques Wagner governou e foi reeleito, sucedido por Rui Costa (também reeleito), e agora Jerônimo Rodrigues ocupa o cargo. Essa longevidade fortaleceu o grupo baiano como um dos mais influentes, senão o principal, dentro da legenda.

A influência do grupo se estende para além dos governadores. Figuras como Sidônio Palmeira, marqueteiro oficial, e seu sócio Raul Rabelo, responsável pela campanha em Brasília, são citados como membros de peso. Éden Valadares, da secretaria de comunicação do partido, mudou-se para o Distrito Federal para atuar no comitê da pré-campanha. Além disso, Wellington Costa Lima e Silva, com indicações de Jaques Wagner e Rui Costa, ocupa um cargo estratégico na Esplanada dos Ministérios.

As preocupações para o PT e a Bahia se dividem em duas frentes. A primeira é o receio de que as investigações possam alcançar Rui Costa, o que, segundo Venceslau, "abalaria o PT inteiro". A segunda diz respeito às consequências eleitorais: a eventual saída de Jaques Wagner do posto de líder do governo no Senado poderia prejudicar a reeleição de Jerônimo Rodrigues ao governo baiano e a campanha de outros candidatos ao Senado.

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