CRISE NO SETOR
Indústria de calçados enfrenta crise inédita com déficit comercial e perda de empregos
Pela primeira vez na história, o valor gasto com importações de calçados superou as exportações brasileiras; setor projeta fechamento de mais de 50 mil postos de trabalho.
A indústria de calçados do Brasil atravessa um momento de severa instabilidade, pressionada por uma conjuntura desfavorável tanto no mercado interno quanto no externo. O setor viu a entrada de dólares com a compra de sapatos superar a receita das exportações pela primeira vez na história, segundo dados da Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados) obtidos junto ao Ministério da Indústria.
O impacto prático dessa inversão reflete diretamente na dignidade do trabalhador. Em junho, o segmento registrou o fechamento de 1.740 postos de trabalho, consolidando uma queda de 4,2% no estoque de empregos diretos em relação ao mesmo período de 2025.
No cenário internacional, os produtos brasileiros perderam competitividade nos EUA. Em julho, o governo de Donald Trump, do Partido Republicano, impôs uma tarifa adicional de 37,5% sobre itens importados, encarecendo os calçados nacionais para o consumidor norte-americano.
Internamente, a preocupação central reside na desoneração das compras internacionais de até US$ 50. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou, em 12/05, uma medida provisória que zera o imposto de importação de 20% para essa faixa de valor. A Abicalçados alerta que a medida desequilibra a concorrência e ameaça o mercado nacional.
A entidade, que questiona a legalidade da MP sob a ótica da isonomia tributária, estima que a isenção coloque em risco 53.900 postos de trabalho. Deste total, 18.700 são empregos diretos na fabricação, 13.200 indiretos na cadeia produtiva e 22.000 impactados pelo efeito-renda.
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