REVOLUÇÃO NA SAÚDE
CAR-T Cell: Personal trainer celebra recuperação após tratamento de leucemia
A terapia CAR-T Cell, desenvolvida no Brasil, oferece esperança e resultados rápidos contra leucemia e linfomas, sendo incorporada ao SUS após estudos promissores.
O personal trainer Bruno Giovanni, diagnosticado com leucemia há cinco anos, celebra uma recuperação notável em apenas um mês após se submeter à terapia CAR-T Cell em 2021. O tratamento, que representa um marco na oncologia brasileira, utilizou células geneticamente modificadas para combater o câncer, demonstrando um impacto direto e positivo na qualidade de vida do indivíduo. Essa evolução é particularmente significativa, pois permite um retorno mais rápido às atividades cotidianas, preservando a dignidade e a autonomia do paciente.
Segundo Bruno Giovanni, um mês após a aplicação da terapia, desenvolvida em parceria pelo Hemocentro de Ribeirão Preto (SP) e o Instituto Butantan, ele já se sentia recuperado e apto a retomar suas rotinas. "Em dezembro de 2021 eu fiz [o tratamento com CART-Cell] e depois de um 'mêsinho', já estava zerado e com a vida seguindo normalmente. É algo muito mais rápido, sem efeitos que te debilitem muito", relata o personal trainer, evidenciando a agilidade e a menor debilitação em comparação a tratamentos anteriores, como o transplante de medula óssea.
A doença foi diagnosticada em 2021, e Bruno passou por diversos tratamentos, mas foi a CAR-T Cell que fez a diferença. Ele conta que os primeiros sintomas da leucemia surgiram enquanto ele treinava, como infecções de garganta e febre, o que reforça a importância da atenção aos sinais do corpo. Após um diagnóstico que o levou a internação e sessões de quimioterapia, a doença retornou cinco meses depois do transplante de medula, impulsionando a busca por alternativas.
A terapia CAR-T Cell, que significa Célula T Receptora de Antígeno Quimérico, funciona através da engenharia do sistema imunológico. Células de defesa do paciente são retiradas, modificadas em laboratório para atacar tumores específicos, e depois reintroduzidas no organismo. A técnica tem apresentado altas taxas de resposta em casos de cânceres do sangue agressivos, como leucemia linfoide aguda, linfoma não Hodgkin e mieloma múltiplo, especialmente quando outras opções falharam.
A notícia sobre a incorporação dessa tecnologia ao Sistema Único de Saúde (SUS) foi anunciada nesta quarta-feira, 10 de junho de 2026, pelo Ministro da Saúde, Alexandre Padilha. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tem acompanhado os resultados finais dos estudos brasileiros, que preveem o recrutamento de mais de 100 pacientes. A perspectiva é que, após o registro da terapia como produto 100% nacional, ela seja disponibilizada para todos os pacientes, representando uma grande esperança e a democratização do acesso a tratamentos de ponta. Estudos indicam que a CAR-T Cell pode economizar recursos hospitalares ao evitar internações e tratamentos para recidivas.
O Brasil já se destacava na América Latina com terapias comerciais estrangeiras, porém o alto custo e a logística complexa limitavam o acesso. Agora, com o desenvolvimento nacional em instituições como o Hemocentro de Ribeirão Preto, USP e Instituto Butantan, os pesquisadores alcançaram taxas de até 87,5% de eficácia em pacientes com leucemia e linfoma. A iniciativa visa não apenas avançar na medicina, mas também garantir que inovações terapêuticas cheguem a quem mais precisa, sem o impedimento financeiro.
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