MEDICAMENTOS PARA O SUS

Câmara aprova dispensa de licitação para medicamentos hemoderivados da Hemobrás

Fachada da fábrica da Hemobrás com destaque para produção de medicamentos hemoderivados.
Projeto dispensa licitação para medicamentos da Hemobrás

Projeto aprovado na Câmara permite contratação direta da Hemobrás em casos de produção exclusiva. A proposta segue para o Senado e visa garantir o abastecimento e a autonomia nacional.

Em uma decisão que impacta diretamente o Sistema Único de Saúde (SUS), a Câmara dos Deputados aprovou, na quarta-feira, 17 de junho de 2026, um projeto de lei que permite a dispensa de licitação para o fornecimento de medicamentos hemoderivados produzidos pela Hemobrás. A aprovação, que ocorreu por 285 votos a favor e 106 contra, busca garantir que a estatal pública possa fornecer esses insumos essenciais sem a obrigatoriedade de processos licitatórios quando for a única produtora.

A proposta, que agora segue para análise do Senado, visa fortalecer o desenvolvimento tecnológico nacional e a autonomia do Brasil na produção de medicamentos derivados do fracionamento do plasma sanguíneo. A Hemobrás, criada em 2004, é uma empresa estatal responsável por essa produção a partir de doações de sangue coletadas em todo o país. A medida é considerada crucial para assegurar a disponibilidade contínua de tratamentos vitais.

O autor do PL 424 de 2015, deputado Jorge Solla (PT-BA), destacou que a iniciativa permitirá ao governo utilizar seu poder de compra para impulsionar a capacidade produtiva interna. "Tais bens e serviços são imprescindíveis para dotar nosso setor de saúde de uma capacidade eficaz e de qualidade, sem a qual o Brasil não poderá garantir a continuidade de sua política de defesa da saúde e do desenvolvimento nacional", ressaltou Solla. Ele argumentou que a dispensa da licitação é justificável pela natureza pública e exclusiva da produção desses hemoderivados no país.

O relator do projeto no plenário, deputado Clodoaldo Magalhães (PV-PE), corroborou o entendimento de que a proposta está alinhada à legislação vigente. Ele enfatizou que a dispensa de licitação é condicionada à existência de uma única instituição pública apta a produzir o medicamento. "De modo a evitar que outras instituições e empresas que produzem medicamentos por biotecnologia sejam obrigatoriamente afastadas das contratações públicas, em prejuízo da eficiência“, explicou, garantindo que a medida não prejudicará a concorrência em outros segmentos onde ela seja viável.

A importância estratégica da Hemobrás foi reforçada pela inauguração de dois blocos de produção de medicamentos hemoderivados em Goiana (PE), em 2025, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A expansão visa ampliar a fabricação de produtos como albumina, imunoglobulina e fatores de coagulação, essenciais para o tratamento de condições como queimaduras graves, hemofilias, doenças raras, pacientes em unidades de terapia intensiva (UTI) e para procedimentos cirúrgicos complexos.

A expectativa é que, até o próximo ano, a Hemobrás alcance a autossuficiência em todas as etapas de produção, suprindo integralmente a demanda do SUS. Essa autonomia nacional tem o potencial de gerar uma economia de até R$ 1 bilhão por ano para o Ministério da Saúde (MS), reforçando a gestão pública e a segurança sanitária do país.

Este texto foi publicado originalmente pela Agência Brasil, em 17 de junho de 2026. O conteúdo é livre para republicação, citada a fonte, e foi adaptado para o padrão do Poder360.

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