GOVERNO EM CRISE FINANCEIRA

Banco do Brasil suspende consignados para servidores e cobra dívida de R$ 337 milhões do Governo do RN

Banco do Brasil suspende consignados para servidores e cobra dívida de R$ 337 milhões do Governo do RN

Instituição financeira alega inadimplência e suspende novas linhas de crédito para servidores do Rio Grande do Norte. Executivo confirma dívida e busca acordo para quitação.

O Governo do Rio Grande do Norte enfrenta um novo e grave capítulo em sua crise financeira. Nesta sexta-feira, 10 de junho de 2026, o Banco do Brasil comunicou a suspensão da oferta de novas linhas de crédito consignado para servidores ativos, aposentados e pensionistas do estado. A decisão ocorre em meio à cobrança de uma dívida milionária de ao menos R$ 337 milhões, referente a parcelas de empréstimos consignados retidas pela administração estadual e não repassadas à instituição financeira. A governadora Fátima Bezerra (PT) está diretamente envolvida na resolução deste impasse, que afeta a dignidade financeira de milhares de cidadãos.

A suspensão do serviço pelo Banco do Brasil impede novas contratações de crédito consignado. No entanto, servidores públicos estaduais relatam um cenário alarmante: a administração estadual continua a descontar integralmente as parcelas diretamente de seus contracheques, sem efetuar o repasse devido ao banco credor. Essa situação gera incerteza e potenciais transtornos financeiros para os servidores, que confiam no sistema de consignado para suas necessidades.

Uma notificação oficial enviada pela instituição bancária ao governo estadual detalha os valores devidos e reforça que o encerramento temporário do convênio não isenta o Executivo de quitar o passivo acumulado. O documento solicita o repasse imediato dos valores consignados na folha de pagamento, que somam R$ 377.414.056,07, apurados até a data da comunicação.

A equipe econômica da governadora Fátima Bezerra confirmou a existência do impasse e informou que está em tratativas com o Banco do Brasil para costurar um acordo de parcelamento. Segundo o governo, os pagamentos do mês atual foram regularizados nesta quarta-feira (10) para evitar o agravamento da situação. O Estado declara manter compromisso com as obrigações correntes e não registrar novos atrasos.

O Banco do Brasil, ao ser procurado para comentar os desdobramentos e prazos da cobrança administrativa, optou por não emitir posicionamento público sobre o caso. A falta de clareza adiciona apreensão ao cenário.

O rombo fiscal ocorre em um momento de severa restrição nas contas públicas do Rio Grande do Norte. As despesas brutas com a folha de pessoal já consomem 56% de toda a receita corrente líquida estadual, excedendo os limites estabelecidos pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Recentemente, o governo publicou um decreto contingenciando R$ 497,4 milhões para tentar equilibrar o fluxo de caixa.

O cenário de instabilidade administrativa tem provocado reviravoltas políticas. Diante da crise financeira crônica, Fátima Bezerra recuou da estratégia de deixar o cargo para disputar uma vaga no Senado Federal. Rompida politicamente com o seu vice-governador, Walter Alves (MDB), a chefe do Executivo potiguar agora articula a candidatura de seu atual secretário de Planejamento e Finanças, Cadu Xavier (PT), à sucessão do governo.

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