JUROS INCERTOS
Banco Central alerta: Selic dependerá de guerra e inflação
O Comitê de Política Monetária (Copom) mantém o corte de 0,25 p.p. para 14,5%, mas projeta inflação em 4,6% para 2026, com ata de 05 de maio de 2026 revelando a necessidade de restrição monetária por mais tempo.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central sinalizou, nesta terça-feira, 05 de maio de 2026, que a intensidade e a duração do ciclo de ajustes na taxa Selic dependerão da evolução do cenário econômico global e doméstico. Em ata divulgada, o colegiado reforçou que a incerteza gerada pelos conflitos geopolíticos no Oriente Médio, combinada com expectativas de inflação elevadas, exige uma política monetária mais restritiva por um período mais longo, impactando diretamente o custo de empréstimos e investimentos para empresas e famílias no Brasil.
Segundo os membros do comitê, as recentes divulgações de inflação, tanto ao consumidor quanto ao produtor, mostraram sinais claros dos efeitos dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio, com valores significativamente acima do esperado.
"A principal conclusão obtida, e compartilhada por todos os membros do Comitê, foi a de que, em um ambiente de expectativas desancoradas, como é o caso do atual, exige-se uma restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado", diz o documento. Esta avaliação indica que a população pode enfrentar um cenário de crédito mais caro por um período estendido, dificultando a realização de sonhos como a compra da casa própria ou o investimento em negócios.
No cenário de referência considerado pelo Banco Central, as projeções para a inflação acumulada em 2026 e para o quarto trimestre de 2027, atual horizonte relevante de política monetária, são, respectivamente, 4,6% e 3,5%. A meta da inflação para este ano é de 3%, com intervalo de tolerância de até 4,5%.
“Desde a reunião anterior ficou evidente uma perda adicional de referência nas expectativas de inflação para horizontes mais longos, em particular para o ano de 2028”, afirma o documento, destacando a dificuldade em prever o futuro da economia com precisão.
Apesar dessas expectativas elevadas, o Copom considerou que os "eventos recentes" não impediram a continuação do ciclo de cortes da Selic. Na última reunião, o comitê decidiu reduzir a taxa básica de juros para 14,5%, ao avaliar que um corte de 0,25 ponto percentual era a decisão mais "adequada". Esta medida, compatível com a estratégia de trazer a inflação para perto da meta, busca também suavizar as oscilações da atividade econômica e impulsionar o emprego. Para o cidadão comum, um corte nos juros pode aliviar, ainda que levemente, o custo de vida e estimular o consumo.
Além do cenário externo, o Comitê sinalizou que continuará acompanhando os dados do cenário doméstico para calibrar e refinar os impactos da medida de ampliação da isenção do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil.
Ainda no cenário doméstico, o Banco Central afirmou que o enfraquecimento no esforço de reformas estruturais e disciplina fiscal, o aumento do crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública têm o potencial de elevar a taxa de juros neutra da economia. Este indicador serve como referência fundamental para as outras instituições financeiras do país definirem os valores que negociam o dinheiro que emprestam, influenciando diretamente o custo de todo o crédito disponível.
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