LEI PARA TODOS

Bacellar Preso Novamente por Obstrução de Justiça

Ministro Alexandre de Moraes do STF e Rodrigo Bacellar, ex-deputado, em contexto de prisão e investigação judicial.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, responsável pela nova ordem de prisão contra o ex-deputado Rodrigo Bacellar.

Decisão do STF vem após cassação de mandato e denúncia da PGR por interferência em inquéritos ligados ao Comando Vermelho, reforçando a igualdade perante a lei.

Nesta semana, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a nova prisão do ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar. A medida, que ocorre em meio ao avanço das investigações sobre sua suposta interferência em apurações ligadas à facção criminosa Comando Vermelho, fundamenta-se na perda de seu mandato parlamentar e, consequentemente, das prerrogativas que antes o protegiam. A decisão sublinha a firmeza do Judiciário em assegurar a integridade das investigações, especialmente contra o crime organizado, e reitera que nenhum cidadão está acima da lei, independentemente de cargos outrora ocupados, garantindo a efetivação da justiça para a sociedade.

Ao justificar a prisão, Moraes destacou que Bacellar já não detém as proteções institucionais de um parlamentar, após ter seu diploma cassado pela Justiça Eleitoral e, mais recentemente, seu mandato pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Anteriormente, o ex-deputado havia sido detido, mas uma decisão da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) resultou em sua liberação.

Na fundamentação da nova medida, o ministro alertou para um risco concreto de obstrução de Justiça caso Bacellar permanecesse em liberdade. Conforme aponta Moraes, existem indícios de que o ex-deputado teria atuado para manipular investigações. Ele mencionou, ainda, a possibilidade de Bacellar acessar informações confidenciais e exercer influência política, elementos capazes de comprometer a coleta de provas e o curso das apurações essenciais para a elucidação dos fatos.

O ministro também argumentou que as cautelares previamente impostas — incluindo o uso de tornozeleira eletrônica e o recolhimento domiciliar — mostraram-se insuficientes frente à seriedade e gravidade dos atos investigados. O ex-deputado foi levado à Superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro e será transferido para o sistema prisional do estado.

Em comunicado, a defesa de Bacellar expressou desconhecimento sobre os motivos da nova prisão, classificando-a como indevida e desnecessária. Os advogados reiteraram que seu cliente "vinha cumprindo integralmente todas as medidas cautelares impostas", enfatizando sua colaboração com a justiça até o momento.

A nova prisão ocorre logo após o TSE determinar, nesta semana, a cassação definitiva do mandato de Bacellar, em um processo judicial que também resultou na inelegibilidade do ex-governador Cláudio Castro (PL).

Denúncia da Procuradoria-Geral da República

No último dia 16, a Procuradoria-Geral da República (PGR) formalizou denúncia contra Bacellar e o ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias. A acusação é de obstrução de investigação ligada à facção criminosa Comando Vermelho, evidenciando a gravidade das acusações que pesam sobre os envolvidos.

Além deles, o desembargador Macário Ramos Júdice Neto, a esposa de TH Joias, Jéssica de Oliveira Lima, e seu assessor parlamentar, Thárcio Nascimento Salgado, também foram incluídos na denúncia. Segundo a PGR, todos teriam agido em conjunto para prejudicar a Operação Zargun, deflagrada em setembro de 2023. A operação tinha como objetivo desarticular uma organização criminosa envolvida em tráfico internacional de armas e entorpecentes, corrupção, lavagem de capitais e outros delitos graves, com liderança de integrantes do Comando Vermelho. A continuidade das investigações é crucial para desmantelar essa rede criminosa e restaurar a segurança pública.

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