ALERTA DE SAÚDE
Aumento de 60% nos casos de ciguatera no RN exige atenção redobrada
A Sesap registrou 141 ocorrências da intoxicação até 11 de junho de 2026. A neurotoxina, que não altera o sabor do pescado, causa sintomas neurológicos duradouros.
A Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) emitiu um alerta sobre o avanço da ciguatera no Rio Grande do Norte, após identificar um aumento de 60,2% nas notificações da doença, nesta terça-feira, 14/07/2026. O crescimento preocupa autoridades sanitárias, visto que a intoxicação alimentar, causada pela ingestão de peixes contaminados pela ciguatoxina, apresenta riscos severos à integridade física da população.
Até o dia 11 de junho de 2026, o Estado contabilizou 141 casos da enfermidade, superando significativamente as 88 ocorrências registradas ao longo de todo o ano de 2025. A ciguatoxina é um agente insidioso: a substância não altera o odor, o sabor ou a aparência do peixe e permanece inalterada mesmo sob processos de cozimento, congelamento ou salga.
Desde 2022, o Rio Grande do Norte notificou 259 casos suspeitos, distribuídos em 46 surtos. Destes, 113 foram confirmados, com dois óbitos registrados. A maioria das ocorrências, equivalente a 64%, está ligada ao consumo doméstico. A bicuda (barracuda) é a espécie mais associada aos registros, totalizando 45,13% dos casos confirmados, embora o alerta também inclua arabaiana, dourado, cioba, pescada-branca, galo-do-alto, pargo e sirigado.
O perfil dos atingidos mostra que mulheres representam 59,3% dos registros, com maior incidência entre adultos de 20 a 59 anos. Natal lidera as estatísticas, seguida por Touros, Ceará-Mirim, Nísia Floresta, Parnamirim e Extremoz.
Impacto clínico e prevenção
Os sintomas podem surgir entre minutos e 48 horas após a ingestão. Além de transtornos gastrointestinais como vômitos e diarreia, o quadro neurológico é o que traz mais sofrimento aos pacientes, com dormências, gosto metálico na boca, coceiras intensas e a inversão térmica, onde o cérebro confunde a percepção de frio e calor.
A Vigilância Sanitária recomenda que, diante de qualquer sinal clínico após o consumo de peixe, o cidadão busque atendimento médico imediato e reporte o histórico alimentar. A preservação de amostras do pescado é fundamental para investigação e controle de novos surtos, assim como evitar o consumo de espécies de procedência desconhecida.
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