AMENIZAR IMPACTOS AÉREOS

Anac avalia pedido para voos operarem após 23h em Congonhas em casos excepcionais

Pista do Aeroporto de Congonhas com aeronave decolando ao fundo
Imagem: Aeroporto de Congonhas. Foto: Estadão.

Associação Brasileira de Empresas Aéreas (Abear) busca flexibilidade para evitar caos em malha aérea; decisão impactará milhares de passageiros.

Milhares de passageiros que utilizam o movimentado Aeroporto de Congonhas podem ter seus transtornos amenizados em situações de emergência. A Associação Brasileira de Empresas Aéreas (Abear), representando grandes Companhias como Latam, Gol e Azul, solicitou à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) a permissão para que aeronaves operem pousos e decolagens após as 23 horas, horário limite atual, em casos estritamente excepcionais. A proposta visa reduzir o impacto de atrasos e cancelamentos causados por incidentes como mau tempo ou panes, evitando um efeito cascata que afeta toda a malha aérea nacional. A Anac confirmou nesta quinta-feira, 07/05/2026, que a solicitação está sob análise de sua diretoria colegiada, uma decisão crucial para a rotina de milhares de viajantes.

Atualmente, o Aeroporto de Congonhas funciona diariamente das 6h às 23h. O pedido da Abear, que inclui critérios claros para a aplicação da medida – como o impacto sobre mais de 600 passageiros –, surge da necessidade de gerenciar intercorrências que desorganizam todo o sistema. Em dias de intempéries ou problemas técnicos, os voos são desviados ou cancelados, causando longas esperas, perda de conexões e prejuízos incalculáveis para quem viaja a trabalho ou lazer. A flexibilização por uma hora adicional, nessas circunstâncias, poderia minimizar significativamente esses transtornos.

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) recebeu oficialmente o pedido da Abear, que busca suporte para viabilizar essa extensão pontual. A diretoria colegiada da agência examina o tema com atenção, ponderando os benefícios operacionais para as Companhias e, principalmente, para os passageiros, frente aos impactos para o entorno do Aeroporto.

As Companhias aéreas ressaltam que a medida não representa uma ampliação permanente da capacidade operacional do Aeroporto, mas sim uma ferramenta para concluir as operações já programadas em situações de emergência. O objetivo é evitar que atrasos pontuais se transformem em uma cascata de problemas em toda a malha aérea do Brasil, afetando voos em diversos Aeroportos pelo país.

A concessionária Aena, administradora do Aeroporto de Congonhas, informou que já realiza prorrogações em caráter excepcional, especialmente diante de eventos meteorológicos adversos que impactam severamente a malha aérea. Essas extensões são cruciais para os milhares de passageiros que transitam diariamente pelo Aeroporto, cujo fluxo chega a 75 mil viajantes.

O processo atual para solicitações desse tipo envolve o encaminhamento das empresas ao Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), por meio do Centro de Gerenciamento da Navegação Aérea. Esse órgão avalia os impactos operacionais e, se os critérios previamente acordados com a Anac forem atendidos, repassa a demanda ao operador aeroportuário. A Aena, por sua vez, verifica a disponibilidade da infraestrutura para a prorrogação.

Um exemplo recente da necessidade dessa flexibilidade ocorreu em 9 de abril, quando, devido a uma pane que suspendeu voos pela manhã, o Aeroporto de Congonhas foi autorizado a operar até a meia-noite. A decisão, noticiada pelo Estadão, visou justamente mitigar os efeitos na malha aérea. Dados da Abear revelaram que o incidente causou o cancelamento de 178 voos e a alteração de outros 22, impactando diretamente mais de 38 mil passageiros e gerando um prejuízo operacional estimado em R$ 10 milhões.

A restrição para operações noturnas em Congonhas existe desde a década de 1970, principalmente devido ao impacto sonoro na região do entorno, uma área densamente povoada da cidade de São Paulo. As regras atuais da Anac, que limitam as operações até as 23 horas, foram estabelecidas em 2008 para controlar a poluição sonora. A prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento (SMUL), ainda não foi comunicada oficialmente sobre a proposta, mas afirma que, caso formalizada, o pedido passará por análise técnica, considerando a legislação e o interesse público.

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