INVESTIGAÇÃO DO ACIDENTE
Defesa de José Luiz Felício Filho nega ciência de falhas que antecederam Queda em Vinhedo
Diretor-presidente da Voepass rebate relatório da PF sobre omissões na manutenção. Indiciados estão proibidos de sair do País enquanto o MPF analisa o inquérito.
José Luiz Felício Filho, diretor-presidente da Voepass, foi indiciado pela Polícia Federal após a investigação sobre a Queda do voo 2283, ocorrida em 2024 em Vinhedo, que resultou na morte de 62 pessoas. A decisão foi tomada pela PF na quinta-feira (6), motivada pela apuração de possíveis omissões na manutenção das aeronaves, e o caso agora segue para análise do Ministério Público Federal (MPF), que decidirá sobre um possível oferecimento de denúncia à Justiça.
A defesa do executivo, representada pelo advogado Roberto Podval, sustenta que o empresário não tinha conhecimento de falhas específicas que antecederam o desastre. Segundo a nota oficial, na época do acidente, Felício Filho integrava o conselho da companhia e não exercia a gestão cotidiana das operações.
O relatório da Polícia Federal apresenta, contudo, uma perspectiva distinta. Os investigadores apontam que, na qualidade de responsável técnico nos processos da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), o executivo detinha pleno conhecimento dos problemas recorrentes na frota. A PF argumenta que ele deveria ter atuado de forma efetiva para interromper o cenário de negligência que, segundo as autoridades, culminou na perda de sustentação da aeronave devido ao acúmulo de gelo.
Para os familiares das vítimas, a conclusão desta etapa do inquérito é um passo doloroso, mas necessário na busca por justiça e reparação. O impacto humano do desastre, que completou dois anos, é revisitado na série 'Voepass 2283 – A Queda', do Globoplay, que dá voz às histórias interrompidas e às angústias daqueles que ainda esperam por respostas sobre a segurança da aviação no País.
Ao todo, 16 pessoas foram indiciadas pela PF. Além da proibição de deixar o País imposta aos investigados, o processo segue agora sob crivo do MPF, não sendo ainda uma condenação definitiva. A defesa de Felício Filho reafirmou que o executivo seguirá colaborando com as autoridades e que, após reassumir a gestão direta da companhia, promoveu mudanças estruturais nos procedimentos operacionais.
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