SEGURANÇA AÉREA URBANA
Rio contabiliza 13 mortes em acidentes com helicópteros em 2026
Após o terceiro acidente fatal no ano, dados do Cenipa revelam alerta ignorado pela FAB sobre o tráfego aéreo na região de Jacarepaguá.
O Rio de Janeiro enfrenta uma crise de segurança aérea após o registro de 13 mortes decorrentes de acidentes com helicópteros ao longo de 2026. A gravidade da situação foi evidenciada no último sábado (8), quando uma nova queda de aeronave na região da Vista Chinesa resultou em quatro vítimas fatais, consolidando um cenário preocupante onde 11 dessas mortes ocorreram em um intervalo de menos de dois meses.
Os dados, extraídos do Painel Sipaer do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), contrastam com o ano anterior, que não contabilizou acidentes fatais com este tipo de transporte na capital fluminense. A recorrência desses eventos levanta questões sobre a eficácia da gestão do tráfego aéreo diante do aumento expressivo de voos panorâmicos e operações de táxi aéreo.
Documentos revelados pela CNN Brasil indicam que, ainda em 9 de dezembro de 2025, a NAV Brasil (Serviços de Navegação Aérea) alertou o Centro Regional de Controle do Espaço Aéreo Sudeste (CRCEA-SE), da Força Aérea Brasileira (FAB), sobre um aumento de 150% nos cruzamentos de aeronaves na área do Aeroporto de Jacarepaguá. Em resposta, a FAB reconheceu a necessidade de mudanças, mas condicionou a implementação de um novo conceito de espaço aéreo apenas para junho de 2027.
O impacto dessas decisões transcende a técnica e atinge diretamente a confiança da sociedade na aviação civil. A empresa VRP (Voos Rio Panorâmicos e Serviços Aeronáuticos), proprietária do Robinson R44 que caiu no último sábado (8), operava regularmente, segundo autoridades. As vítimas do acidente — três passageiras colombianas e o piloto — foram encontradas carbonizadas em uma área de mata de difícil acesso dentro do Parque Nacional da Tijuca.
Em reação à tragédia, o prefeito Eduardo Cavaliere (PSD) solicitou à Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) medidas imediatas, incluindo a possibilidade de suspensão temporária dos voos panorâmicos para viabilizar uma fiscalização intensiva. A Anac confirmou, no domingo (9), que mantém diálogo com a prefeitura para definir uma atuação conjunta, enquanto as famílias das vítimas e a população do Rio aguardam respostas que garantam a integridade física de quem circula pelo espaço aéreo da cidade.
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