FIM DA LINHA
Alcides Bernal morre após passar mal no Presídio Militar em Campo Grande
Ex-prefeito respondia a processo pela morte de fiscal tributário; defesa alega que estado de saúde exigia prisão domiciliar negada pela Justiça.
O ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, faleceu nesta segunda-feira, 13/07/2026, após sofrer complicações de saúde enquanto cumpria pena no Presídio Militar da capital. O óbito ocorreu na Santa Casa, para onde o detento foi transferido após desmaiar na unidade prisional, encerrando um ciclo de embates judiciais que marcaram sua trajetória recente.
Bernal respondia à acusação de homicídio contra o fiscal tributário da Secretaria de Fazenda de Mato Grosso do Sul, Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos. O conflito, ocorrido em um imóvel situado na Rua Antônio Maria Coelho, teve origem em uma disputa pela posse do bem, que havia sido arrematado por Mazzini em leilão judicial. O ex-prefeito sustentava, à época, ter agido em legítima defesa ao disparar contra o servidor.
O caso tramitava sob forte atenção jurídica, com o TJMS tendo determinado recentemente que Bernal fosse submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri. No dia 30 de junho de 2026, o STJ negou um pedido de habeas corpus que buscava a liberdade do réu. A morte ocorre em um momento em que a defesa, liderada por Ricardo Machado, acumulava negativas judiciais para a concessão de prisão domiciliar, baseada em laudos que apontavam o ex-prefeito como paciente cardíaco de alto risco.
Segundo a defesa, o Presídio Militar já havia emitido ofícios alertando para a incapacidade da unidade em prover o suporte médico necessário para a gravidade do quadro clínico de Bernal, que incluía a necessidade de procedimentos como angioplastia e colocação de stents. O advogado Ricardo Machado manifestou frustração com o desfecho, citando os alertas ignorados sobre o risco iminente à vida do ex-mandatário.
Com uma carreira política iniciada em 2004, Alcides Bernal foi vereador, deputado estadual e prefeito de Campo Grande. Seu mandato à frente do Executivo municipal foi marcado por turbulências políticas, incluindo um processo de cassação em 2014, revertido posteriormente por decisão do TJMS em 2015, permitindo que concluísse seu mandato em 2016.
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