PETRÓLEO EM ALERTA
AIE alerta para "zona vermelha" no mercado de petróleo entre julho e agosto devido à guerra
Diretor da Agência Internacional de Energia prevê possível escassez crítica, destacando a interrupção de exportações do Oriente Médio e a redução de estoques globais.
O mercado global de petróleo corre o risco de entrar em uma "zona vermelha" entre julho e agosto, segundo alerta do diretor-executivo da AIE (Agência Internacional de Energia), Fatih Birol. A preocupação surge da combinação do pico sazonal de demanda no verão do Hemisfério Norte, a interrupção das exportações do Oriente Médio e a diminuição dos estoques globais. A notícia foi divulgada nesta quinta-feira, 21/05/2026.
Durante um evento na Chatham House, em Londres, Birol expressou que a situação pode se agravar: "podemos estar entrando na zona vermelha em julho ou agosto se não houver melhora na situação". A referência é à crise energética intensificada pela guerra envolvendo o Irã e pelo fechamento efetivo do Estreito de Ormuz.
Birol detalhou que a retirada de mais de 14 milhões de barris por dia (bpd) de oferta de petróleo do Oriente Médio configura "a maior crise energética da história".
Apesar de o excedente global de petróleo pré-guerra, a liberação coordenada de 400 milhões de barris das reservas estratégicas da AIE e o uso de estoques comerciais terem inicialmente amenizado o impacto, o diretor enfatizou que essas medidas não são uma solução definitiva. "A solução mais importante é a reabertura total e incondicional do Estreito de Ormuz", declarou.
Atualmente, a agência libera entre 2,5 milhões e 3 milhões de barris por dia ao mercado, representando o maior uso coordenado de reservas da história. Contudo, Birol adverte que os estoques estão se esgotando precisamente no período de maior consumo de combustíveis. "Os estoques estão diminuindo, não chega novo petróleo do Oriente Médio e a demanda aumenta", resumiu.
O diretor da AIE também manifestou preocupação quanto à recuperação da produção e da capacidade de refino no Oriente Médio, prevendo um processo lento e desigual. Embora países como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos possuam recursos financeiros e tecnológicos para acelerar a retomada, o Iraque apresenta maiores desafios.
"Meu maior medo é o Iraque", admitiu Birol, citando a forte dependência do país em receitas do petróleo e a infraestrutura de armazenamento limitada, o que já levou ao fechamento de campos petrolíferos de difícil reativação.
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