SAÚDE E PREVENÇÃO

A rara batalha de uma mulher contra 38 parasitas no cérebro

Foto de Lowri Denman, que sobreviveu após diagnóstico de 38 parasitas no cérebro.
Lowri Denman conta que sua viagem à Índia em 2007 foi incrível. — Foto: BBC

Após diagnóstico de neurocisticercose, paciente relata jornada de anos entre convulsões e tratamento intensivo para retomar a própria vida.

Uma infecção contraída durante uma viagem à Índia em 2007 resultou em um dos casos clínicos mais raros e graves já registrados no Reino Unido. Lowri Denman descobriu, após anos de dores de cabeça intensas, convulsões e episódios de psicose, que carregava 38 parasitas em seu cérebro. A decisão de investigar os sintomas em 2011, após sofrer sua primeira convulsão, foi o ponto de virada para a descoberta da neurocisticercose, uma condição que, apesar de rara em seu país, impôs uma longa batalha pela sobrevivência e pela dignidade.

A experiência de Lowri Denman destaca a fragilidade da saúde humana diante de agentes infecciosos silenciosos. O impacto da doença não se limitou ao físico; a paciente enfrentou internações, tratamentos com esteroides que alteraram sua aparência e meses em um hospital neuropsiquiátrico. A necessidade de suporte familiar e o afastamento do trabalho revelam o peso social de uma enfermidade que, embora evitável, transforma profundamente a rotina de quem a contrai.

Segundo o médico especialista em doenças infecciosas Brendan Healy, o quadro de Denman foi considerado único e objeto de estudo por especialistas de diversos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês) e do Reino Unido. O diagnóstico definitivo veio após a exclusão de outras hipóteses e a confirmação de que os cistos, originados pela Taenia solium, haviam se instalado no sistema nervoso central.

Embora a condição de Denman tenha sido estabilizada — com a calcificação dos parasitas e o controle das convulsões, cuja última ocorreu em 2017 —, o tratamento é contínuo. Ela precisará tomar medicação antiepiléptica por toda a vida. Atualmente, a paciente busca transformar seu sofrimento em conscientização, defendendo a importância de medidas de higiene e saneamento como formas fundamentais de prevenir a propagação de doenças negligenciadas em escala global, conforme orienta a Organização Mundial da Saúde (OMS).

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