FINANÇAS NO LIMITE
3º mandato de Lula terá o maior rombo fiscal médio da história
Estimativa de deficit nominal médio em 8,54% do PIB de 2023 a 2026. Banco Central confirma R$ 1,218 trilhão acumulado em 12 meses.
Agentes do mercado financeiro e o Banco Central revelaram nesta quinta-feira, 30 de abril de 2026, que o 3º mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva projeta o maior deficit nominal médio da história do país. A estimativa aponta um saldo negativo de 8,54% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2026, superando o recorde anterior e indicando uma pressão significativa sobre as finanças públicas. Essa trajetória fiscal preocupante pode impactar diretamente a capacidade do governo de investir em áreas essenciais como saúde, educação e infraestrutura, afetando a qualidade de vida dos cidadãos e o desenvolvimento econômico do Brasil.
O recorde anterior de deficit nominal médio foi registrado durante os governos de Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (MDB), quando atingiu 8,48% do PIB. O setor público consolidado, que engloba a União, os Estados, os municípios e as estatais, teve um saldo negativo médio de 8,55% até o 3º ano do governo Lula.
Para estimar o rombo fiscal médio projetado para todo o mandato, o Poder360 considerou a mediana das estimativas do Boletim Focus para 2026, que indicam um saldo negativo de 8,50% do PIB neste ano. Isso significa que, a cada R$ 100 de riqueza produzida pelo país, mais de R$ 8 não são cobertos pela arrecadação pública, exigindo endividamento e comprometendo recursos futuros.
Eis o histórico de deficit nominal anual no governo Lula:
- 2023: -8,84% do PIB;
- 2024: -8,47% do PIB;
- 2025: -8,34% do PIB;
- 2026: -8,50% do PIB (estimativa do Boletim Focus).
Para que o deficit nominal não batesse este recorde no atual mandato do presidente, o setor público consolidado teria que registrar um deficit nominal menor ou igual a 8,24% do PIB em 2026, o que representaria o melhor desempenho entre todos os anos em que Lula esteve à frente do Palácio do Planalto. Contudo, essa melhora não é esperada.
As despesas com juros da dívida pública, que compõem o resultado nominal, estão em trajetória de alta, devorando uma fatia cada vez maior do orçamento. No 3º mandato de Lula, o gasto médio será de 7,64% do PIB, um patamar recorde. Até 2023, o governo de 2003 a 2006 de Lula havia sido o que mais tinha gastado com juros da dívida em proporção ao PIB, com 7,25%.
O presidente Lula, em diversas ocasiões, culpou o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto pelos juros elevados, com críticas que se iniciaram em 18 de janeiro de 2023 e se estenderam até a saída do ex-banqueiro central do cargo. Curiosamente, Gabriel Galípolo, indicado pelo governo, foi poupado das reclamações de Lula, mesmo tendo votado para subir a taxa básica, a Selic, depois da saída de Campos Neto. A Selic tem um efeito importante no encarecimento dos juros da dívida. Quando Campos Neto deixou o cargo, em dezembro de 2024, o juro-base estava em 12,25% ao ano. Com Galípolo, a taxa subiu para 15% ao ano em junho de 2025, permanecendo neste patamar até março de 2026.
Recentemente, o Copom (Comitê de Política Monetária) decidiu cortar a taxa básica para 14,50% ao ano na reunião de quarta-feira, 29 de abril de 2026.
Eis o histórico anual de gastos com juros da dívida no governo Lula:
- 2023: -6,56% do PIB;
- 2024: -8,07% do PIB;
- 2025: -7,91% do PIB;
- 2026: -8,0% do PIB (estimativa do Boletim Focus).
ROMBO DE R$ 1 TRILHÃO
O Banco Central divulgou nesta quinta-feira, 30 de abril de 2026, que o deficit nominal do setor público consolidado atingiu R$ 1,218 trilhão no acumulado de 12 meses, marcando o maior patamar anualizado da série histórica. O saldo negativo havia sido de R$ 1,09 trilhão em fevereiro de 2026 e de R$ 948,5 bilhões em março de 2025. Este crescimento exponencial do rombo fiscal exige atenção e reformas urgentes para não comprometer a estabilidade econômica e social do país.
DEFICIT PRIMÁRIO
O deficit primário – que exclui os gastos com juros da dívida – será de 0,90% do PIB, segundo as projeções dos agentes financeiros. Para 2026, a mediana das projeções indica que o saldo negativo será de 0,5% do PIB. Apesar de ainda representar um saldo negativo, o deficit médio do mandato do governo Lula diminuiu em relação à gestão de Jair Bolsonaro (PL), que foi de 2,03% do PIB.
O resultado negativo no mandato do ex-presidente foi significativamente impactado pela pandemia de covid-19, período em que o governo expandiu os gastos para combater os efeitos da crise sanitária na economia e preservar vidas.
A equipe econômica de Lula defende que o superavit fiscal registrado no mandato de Bolsonaro foi artificial, alegando que coube ao governo atual custear despesas contratadas no passado. Entre elas, estão os precatórios, a dívida com governadores decorrente da redução de impostos sobre combustíveis e os repasses ao Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação).
Leia abaixo a trajetória anual do resultado primário de cada governo:
Bolsonaro (2019-2022):
- 2019: -0,84% do PIB;
- 2020: -9,24% do PIB;
- 2021: +0,72% do PIB;
- 2022: +1,25% do PIB.
Lula (2023-2026):
- 2023: -2,28% do PIB;
- 2024: -0,40% do PIB;
- 2025: -0,43% do PIB;
- 2026: -0,50% do PIB.
Nesta quinta-feira, 30 de abril de 2026, o Banco Central publicou que o deficit primário do setor público consolidado foi de R$ 137,1 bilhões em março de 2026, sendo que havia sido de R$ 52,8 bilhões em fevereiro de 2026 e de R$ 13,5 bilhões em março de 2025. Esses números revelam a persistência dos desafios fiscais que o país enfrenta.
Leia mais:
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