SEGURANÇA DIGITAL FINANCEIRA
Banco Central estuda novas travas de segurança para transações no Pix
Proposta em análise pelo Banco Central pode ampliar para 72 horas o prazo de retenção de transferências suspeitas feitas durante a madrugada.
O Banco Central (BC) avalia implementar novas diretrizes de segurança para o Pix com o objetivo de reduzir a incidência de golpes e fraudes, especialmente durante o período noturno. A medida, que ainda se encontra em fase de discussão técnica, estuda a possibilidade de permitir que instituições financeiras retenham por até 72 horas transações de alto valor identificadas como suspeitas.
A iniciativa busca equilibrar a essência de instantaneidade do sistema com a necessidade de proteção ao usuário. O foco principal reside em momentos em que a vigilância humana nas instituições é reduzida, protegendo o patrimônio do cidadão contra ações criminosas ou transferências realizadas sob coação.
Critérios em debate no Fórum Pix
Os parâmetros para a aplicação dessa trava ainda não foram definidos. O Fórum Pix, grupo que reúne integrantes do Banco Central, representantes do setor bancário, especialistas e a sociedade civil, discute critérios como o valor da operação, o horário de realização e o histórico de movimentações do usuário. A intenção é que a análise detalhada ajude a barrar desvios sem inviabilizar operações legítimas.
O setor financeiro, ciente dos riscos após episódios como a invasão da C&M Software, defende a ampliação dos prazos de verificação. Por outro lado, algumas fintechs alertam para possíveis prejuízos a modelos de negócio dependentes de agilidade, o que torna o processo de decisão cauteloso.
Avanços no combate a fraudes
O esforço de blindagem não é inédito. Dados da autoridade monetária demonstram que a eficácia no combate aos crimes digitais tem crescido, com o índice de fraudes reduzindo de 11 casos a cada 100 mil transações em julho de 2024 para 4,2 em abril de 2026. Paralelamente, o Mecanismo Especial de Devolução (MED) apresentou o maior percentual de recuperação de recursos desde o início da série histórica.
Inteligência artificial e novas ferramentas
Além das travas temporais, o Banco Central explora o uso de inteligência artificial para criar indicadores de risco em tempo real. O regulador também pretende padronizar alertas de segurança e aprimorar o botão de contestação no aplicativo para evitar o uso indevido do recurso em disputas comerciais, garantindo que o mecanismo cumpra seu papel social de proteger a vítima de crime digital.
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