DENÚNCIA EM PRISÃO

Sindicato denuncia regalias para Deolane em prisão; OAB-SP defende prerrogativas

Foto ilustrativa de Deolane Bezerra em situação de delegacia ou tribunal.
Influenciadora Deolane Bezerra é alvo de denúncia de regalias em prisão.

Sindicato dos Policiais Penais alega chuveiro, cama e alimentação especiais para influenciadora. OAB-SP se manifesta sobre direito de advogados presos.

O Sindicato dos Policiais Penais do Estado de São Paulo (Sinppenal) denunciou, nesta sexta-feira, 22 de maio de 2026, à Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) possíveis regalias concedidas à influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra durante sua detenção na Penitenciária Feminina de Santana, Zona Norte da capital paulista. A internação, que durou cerca de 14 horas, teria apresentado condições diferenciadas em relação às demais detentas, impactando a dignidade e o tratamento igualitário que deveria ser garantido a todas.

Entre os pontos citados na denúncia estão a disponibilização de um chuveiro exclusivo, uma cama distinta e alimentação diferenciada, em contraste com as providências básicas oferecidas às demais presas. Segundo informações divulgadas, o espaço onde Deolane Bezerra ficou recolhida teria passado por adaptações estruturais para sua acomodação, incluindo a instalação de uma cama de ferro com colchão, lençol e travesseiro, e um chuveiro elétrico privativo.

O Sinppenal também alega que o ambiente teria passado por pintura e ajustes, com restrição de acesso de policiais penais, o que, segundo o sindicato, dificultou a fiscalização e a rotina da unidade. A direção da unidade teria, ainda, realizado a recepção pessoal da detida, num cenário que, para o sindicato, aponta para a improvisação de uma cela especial, já que a unidade não possuiria estrutura própria para esse tipo de acomodação, prevista para advogados em prisão provisória.

A Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) informou que a custódia ocorreu “como advogada”, conforme decisão judicial, mas não se pronunciou sobre a abertura de apuração das denúncias. A defesa de Deolane Bezerra não se manifestou até o momento.

Por outro lado, a Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo (OAB-SP) confirmou que o Estatuto da Advocacia prevê que profissionais da área presos preventivamente sejam mantidos em sala de Estado-Maior ou local equivalente, separado dos demais detentos. A entidade ressalta que acompanha o caso no âmbito da defesa das prerrogativas profissionais, sem qualquer relação com eventual benefício pessoal.

Deolane Bezerra ficou detida entre 15h20 de quinta-feira, 21 de maio de 2026, e 5h20 de sexta-feira, 22 de maio de 2026, quando foi transferida para a Penitenciária Feminina de Tupi Paulista. Sua prisão ocorreu durante operação do Ministério Público e da Polícia Civil que investiga um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC), com suspeita de participação em movimentações financeiras atribuídas ao grupo criminoso.

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