CASO DE FEMINICÍDIO

Síndico relata festas e insegurança em prédio de PMs após morte de capitã Michele Leão

Foto de Eduardo Abner Pereira de Oliveira, militar preso pelo crime.
O 3º sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira está preso por feminicídio.

Conflitos, barulho excessivo e circulação de estranhos no condomínio levavam moradores a um clima de medo antes do crime.

O síndico do condomínio onde residiam a capitã da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) Michele Leão Azevedo e seu marido, o 3º sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira, relatou uma rotina de perturbação e conflitos que gerava insegurança entre os vizinhos. O depoimento foi concedido nesta quarta-feira (22/7), durante o velório da oficial, em Belo Horizonte.

Segundo Dimas Oliveira, o apartamento do casal era palco de festas frequentes que reuniam entre 50 e 60 convidados, causando transtornos constantes. O síndico afirmou que a prática de fornecer senhas de acesso ao prédio para pessoas desconhecidas deixava os moradores acuados. “A maioria não conhecia essas pessoas. Isso nos deixava muito inseguros”, declarou.

Diante da reincidência dos problemas, a Corregedoria da Polícia Militar precisou ser acionada. O episódio mais crítico teria ocorrido no período do Carnaval. “Na Quarta-feira de Cinzas, já eram quatro dias seguidos de festa. Recebi muitas reclamações de moradores com crianças e idosos”, relembrou Dimas, acrescentando que, embora tenha havido uma intervenção para a retirada de um equipamento de som, os incômodos persistiram.

O síndico destacou que o temor de represálias impedia a formalização das queixas. “A lei do silêncio praticamente não existia. Existia o silêncio dos moradores, que viviam acuados. Eram autoridades, e isso gerava um certo temor”, afirmou. Apesar da convivência tensa, ele descreveu a capitã Michele Leão como uma pessoa querida e amistosa na relação com os vizinhos.

A capitã faleceu na segunda-feira (20/7), após ser levada sem vida ao Hospital Odilon Behrens pelo marido. Eduardo Abner Pereira de Oliveira foi preso em flagrante por feminicídio, e a decisão foi convertida em prisão preventiva pela Justiça em audiência realizada nesta quarta-feira (22/7). O militar também responde por tráfico de drogas, após ter sido flagrado tentando descartar comprimidos de ecstasy na unidade hospitalar. A Polícia Civil segue investigando o caso e o histórico de violência no relacionamento.

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