FAMÍLIA DO TRÁFICO

Polícia Federal desarticula família apontada como núcleo de tráfico internacional e lavagem de dinheiro

Operação "Mens Occulta" da Polícia Federal desarticula família envolvida em tráfico e lavagem de dinheiro.
Operação "Mens Occulta" da Polícia Federal apreendeu mais de 2 toneladas de cocaína e desarticulou organização criminosa familiar.

Apesar de mais de 2 toneladas de cocaína apreendidas em um ano, o esquema criminoso, liderado por Mario Sergio Nunes, seguiu operando. A investigação "Mens Occulta" detalha movimentações financeiras bilionárias.

A Polícia Federal (PF) deflagrou a operação "Mens Occulta" para desarticular uma organização criminosa familiar suspeita de tráfico internacional de cocaína e lavagem de dinheiro. A investigação apura que o grupo, liderado por Mario Sergio Nunes, conhecido como "Serjão do PCC", e seus familiares, movimentou cerca de R$ 70 milhões nos últimos cinco anos, mesmo após a apreensão de mais de 2 toneladas de entorpecentes em um ano.

Apesar do volume considerável de drogas apreendidas, a PF destacou que essa quantidade representa apenas uma fração do total movimentado pelo grupo. A organização operava de forma estruturada, planejando as perdas decorrentes das apreensões em seus cálculos. Em janeiro de 2025, por exemplo, dois motoristas ligados ao esquema foram presos em três viagens suspeitas cada, com apreensão da carga em apenas uma delas.

A investigação, iniciada há cerca de um ano, identificou nove grandes apreensões ligadas à família Nunes. Entre os itens apreendidos estão mais de 2 mil quilos de cocaína, 30 barras de skunk, duas armas de fogo e R$ 100 mil em dinheiro. A estrutura criminosa utilizava transportadoras como fachada para registrar veículos, movimentar recursos e ocultar patrimônio.

Mario Sergio Nunes, apontado como líder, é suspeito de coordenar motoristas, laranjas e testas de ferro para ocultar o patrimônio e as finanças do grupo. Sua esposa, Maria Lourdetis Ferreira Silva Nunes, é investigada pela participação na estrutura financeira, enquanto as filhas Bruna Silva Nunes e Brenda Silva Nunes teriam atuado na comunicação entre integrantes e em movimentações financeiras, com padrão de vida incompatível com a renda declarada. O ex-genro, Rhanniery Nunes Graciano, também é investigado por atuar como laranja.

O advogado da família Nunes, José Carlos de Oliveira Campos, informou que a defesa ainda não teve acesso completo ao processo, que tramita sob sigilo. Ele afirmou que a família confia nas instituições e se coloca à disposição para prestar esclarecimentos.

O esquema criminoso trazia a cocaína do Paraguai para o Brasil, utilizando rotas como Mato Grosso do Sul e Uberlândia (MG) como pontos de entrada e distribuição. A PF suspeita que os recursos do tráfico eram lavados através da aquisição de bens de alto valor, como veículos de luxo e ranchos, e pela movimentação de dinheiro em empresas de fachada.

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