COMBATE AO CRIME

Polícia Federal: Conheça a Ficco, força-tarefa que combate PCC e CV em todo o país

Integrantes da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado em operação.
A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco) atua em operações conjuntas contra facções criminosas.

A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado une diferentes polícias para desarticular facções como PCC e Comando Vermelho, que se expandiram para atuação nacional e internacional.

A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco) tem sido o pilar de investigações contra o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), desarticulando células e rastreando operadores financeiros das facções em todo o Brasil. Essa força-tarefa representa uma evolução na forma como as autoridades brasileiras enfrentam organizações criminosas que operam em escala nacional e internacional, atuando em operações contra tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e estruturas financeiras ilícitas.

A Ficco reúne um contingente diversificado de profissionais, incluindo policiais federais, civis, militares e penais, além de especialistas em inteligência e representantes de secretarias estaduais de segurança pública. Esse modelo de colaboração foi fundamental para conter a expansão das facções para além dos presídios, alcançando rotas internacionais de cocaína e disputando territórios estratégicos em regiões de fronteira. O PCC e o Comando Vermelho utilizam empresas, operadores financeiros e estruturas complexas de lavagem de dinheiro para movimentar recursos entre diferentes estados, o que exige uma resposta integrada que nenhuma instituição isolada conseguiria oferecer.

A atuação da Ficco ficou evidente em operações recentes. Em março de 2026, uma megaoperação nacional mobilizou forças de segurança em 15 estados, resultando no cumprimento de mais de 100 mandados de prisão e 181 de busca e apreensão contra integrantes do PCC e do Comando Vermelho. A investigação visava desmantelar redes de tráfico de drogas, armamento, lavagem de dinheiro e disputas territoriais. Outra ação significativa, a Operação Força Integrada II, realizada neste mês, cumpriu 263 mandados judiciais em diversos estados, com 82 prisões de membros de facções criminosas.

Essas operações sinalizam uma mudança estratégica no combate ao crime organizado. O foco transcende a apreensão de drogas e a prisão de traficantes armados, voltando-se para a desarticulação de estruturas mais amplas. Autoridades identificaram nos últimos meses o uso de fintechs, postos de combustíveis, empresas de reciclagem, fundos de investimento e plataformas digitais por facções para movimentar e ocultar patrimônio, demonstrando uma sofisticação crescente.

O fortalecimento das Ficcos acompanha a transformação do próprio crime organizado brasileiro. Levantamentos da inteligência penitenciária indicam a existência de ao menos 88 facções em todo o país, muitas inspiradas nos modelos do PCC e do Comando Vermelho. O compartilhamento de informações entre as forças policiais tornou-se essencial, permitindo cruzar dados de investigações em diferentes presídios, relatórios financeiros e operações estaduais. Uma informação obtida em um presídio pode auxiliar investigadores a localizar operadores financeiros ou lideranças criminosas em outra região do país.

A relevância das forças integradas ganhou destaque internacional nesta semana, com a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras pelos Estados Unidos. Essa medida intensifica a pressão sobre as facções e seus mecanismos de financiamento, além de fomentar o debate sobre a atuação transnacional dos grupos brasileiros. O desafio para os investigadores agora reside em enfrentar estruturas descentralizadas, com capacidade de movimentar recursos em múltiplos estados e manter conexões internacionais, o que exige uma resposta coordenada e integrada do Estado.

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