AVALIAÇÃO POLICIAL
Polícia Civil avalia que Jair Bolsonaro não cometeu crime por porte de arma com registro válido
Investigação aponta que militar que portava a arma de Bolsonaro agiu sem autorização. Ex-presidente possuía registro válido do armamento.
A Polícia Civil do Distrito Federal avalia que Jair Bolsonaro não cometeu crime ao ter um registro válido para a Glock 9mm apreendida com um militar. A corporação formalizou essa posição nesta quarta-feira, 01/07/2026, no mesmo documento que indiciou Estácio Leite da Silva Filho, militar do Exército que integra a segurança do ex-presidente, por porte ilegal de arma de fogo.
Estácio Leite foi detido em uma blitz em 15 de junho, transportando a arma de Bolsonaro em seu veículo. A polícia concluiu que o militar não possuía autorização do proprietário para circular com o armamento, configurando infração às exigências legais.
Em relação a Bolsonaro, a polícia considerou que ele não teve conduta culposa no caso. A nota oficial esclarece que Bolsonaro detinha registro válido da arma, sem restrições conhecidas para mantê-la em sua residência. A arma não foi recolhida durante buscas em sua casa, nem restrições foram impostas ao seu registro, o que levou a polícia a não identificar materialidade ou conduta dolosa para um eventual crime de porte ilegal de arma de fogo de uso restrito.
Estácio Leite da Silva Filho foi indiciado por porte ilegal de arma de fogo, com a agravante de ser sargento do Exército. A reportagem buscou contato com a defesa do militar.
Quando a Polícia Civil indicia alguém, o inquérito policial é concluído e formaliza-se a suspeita sobre a participação da pessoa em um crime. O caso é então encaminhado ao Ministério Público para que decida sobre a eventual ação judicial.
Em seu depoimento, Jair Bolsonaro confirmou a posse da arma de fogo apreendida, que estava em sua residência. Ele relatou ao delegado que possuía três mulheres em casa e que não podia ficar desarmado.
Atualmente, Bolsonaro cumpre pena em regime de prisão domiciliar humanitária, decisão autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) devido ao seu estado de saúde. O ministro Alexandre de Moraes ainda analisa o impacto do caso da arma apreendida e deve decidir, nesta semana, se mantém a prisão domiciliar.
Informações divulgadas apontam que a arma foi temporariamente inutilizada por decisão da equipe de segurança, com o consentimento de Michelle Bolsonaro. Essas informações derivam de relatos de pessoas com acesso à investigação e ao depoimento do militar responsável pela segurança do ex-presidente e que portava o armamento.
Segundo relatos de pessoas próximas à investigação, o militar declarou ter transportado a arma a pedido do ex-presidente para que o armamento fosse consertado. A arma estava sem o percussor, peça essencial para o disparo. O militar afirmou ter recolocado o percussor após o conserto, mas só devolveria o armamento com autorização de Michelle Bolsonaro. Como ela não estava presente, ele decidiu levar a arma para casa para realizar a manutenção antes de entregá-la ao ex-presidente.
De acordo com esses relatos, a retirada do percussor ocorreu durante o período em que Bolsonaro tentou violar a tornozeleira eletrônica. Na ocasião, a equipe de segurança intensificou os cuidados com a integridade física do ex-presidente, após ele alegar alucinação e "paranoia" possivelmente decorrentes do uso de medicamentos.
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