GOLPE MILIONÁRIO

PF investiga "Golden Boys" por fraude milionária no INSS

Empresários "Golden Boys" são alvos de investigação da Polícia Federal por fraude milionária contra o INSS.
Imagem de arquivo de veículos de luxo apreendidos pela PF em operação anterior.

Empresários suspeitos de desviar R$ 700 milhões em benefícios previdenciários utilizavam empresas de fachada e ostentavam estilo de vida luxuoso.

A Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram nesta quarta-feira, 27/05/2026, uma nova fase de operação que apura uma fraude milionária envolvendo empresários conhecidos como "Golden Boys". A investigação revelou que o grupo, que movimentou R$ 700 milhões através de descontos em benefícios de aposentados, é suspeito de aplicar um golpe de grandes proporções contra o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O caso, divulgado pelo Metrópoles, levanta sérias questões sobre a dignidade dos beneficiários lesados e a integridade dos sistemas de proteção social.

Os empresários Igor Dias Delecrode, 28 anos, Felipe Macedo Gomes, 35, Anderson Cordeiro, 38, e Américo Monte, 45, são apontados como figuras centrais na administração de associações como Amar Brasil Clube de Benefícios, Master Prev, ANDAPP e AASAP. Essas entidades, que juntas faturaram a expressiva quantia de R$ 700 milhões, são suspeitas de usarem os descontos em aposentadorias para benefício próprio, impactando diretamente o sustento de milhares de famílias que dependem desses valores.

A investigação aponta que o grupo possuía investimentos diversificados, incluindo uma fintech, uma construtora e uma empresa de crédito consignado. O estilo de vida luxuoso ostentado pelos suspeitos, com mansões e carros de alto valor em Alphaville, região nobre de Barueri, na Grande São Paulo, contrasta com a situação de vulnerabilidade dos aposentados que teriam sido lesados pela fraude.

Igor Delecrode, figura central, esteve à frente da AASAP e ocupou cargos de direção em outras associações investigadas. Empresas de biometria ligadas a ele teriam sido contratadas pelas entidades suspeitas para validar assinaturas de aposentados, levantando suspeitas de falsificação em larga escala e comprometendo a autonomia e a segurança dos dados dos beneficiários.

Felipe Gomes presidia a Amar Brasil Clube de Benefícios no período em que a associação firmou um acordo de cooperação técnica com o INSS, em agosto de 2022. O envio do pedido ao INSS por meio do endereço eletrônico de sua fintech, a Rendbank, reforça a tese de que os negócios pessoais e as entidades investigadas operavam em conluio, visando a obtenção de vantagens ilícitas em detrimento da ordem pública.

Américo Monte, ex-correspondente bancário especializado em crédito consignado, é suspeito de inserir parentes, como pai, tio e filha, na estrutura das entidades sob investigação. Ele já havia sido citado em apurações anteriores, após denúncias de um funcionário sobre possíveis falsificações de assinaturas, indicando um padrão de conduta ilícita persistente.

Em outubro do ano passado, em uma fase anterior da operação, a Polícia Federal já havia apreendido uma frota de veículos de luxo, cofres, armas, munições e dinheiro em espécie pertencentes aos investigados. A continuidade das operações demonstra a gravidade dos atos e a necessidade de responsabilização para coibir práticas que ferem a dignidade e os direitos dos cidadãos.

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