PODER DO TRÁFICO EXIBIDO

Francyara da Silva, a 'Turbinada do Comboio', ostentava luxo financiado pelo tráfico

Francyara da Silva, 'Turbinada do Comboio', ostentando bens de luxo em rede social, investigada por tráfico.
Francyara da Silva, conhecida como 'Turbinada do Comboio', ostentava luxo financiado pelo tráfico.

Investigações revelam que Francyara da Silva, conhecida como 'Turbinada do Comboio', usava dinheiro do tráfico para financiar estilo de vida luxuoso, com carros e motos aquáticas.

A existência de Francyara da Silva, conhecida como “Turbinada do Comboio”, sob forte suspeita de ostentar um estilo de vida luxuoso financiado pelo tráfico de drogas, foi desvendada pela Operação Fornitori. A ação foi deflagrada nesta quinta-feira, 18/06/2026, pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco/Decor) e pela 4ª Promotoria de Entorpecentes. A investigação aponta que Francyara utilizava recursos do tráfico para exibir nas redes sociais uma rotina de passeios em motos aquáticas, churrascos, hospedagens em hotéis de luxo e registros ao lado de veículos de alto padrão, com pouco mais de 4,2 mil seguidores no Instagram, impactando a percepção pública sobre a origem da riqueza.

As postagens de Francyara, que a mostravam pilotando embarcações, aproveitando o sol em clubes e lagos, ou em passeios com BMWs, demonstravam um padrão de vida incompatível com a renda declarada. Essa ostentação, conforme apuração policial, teria origem no tráfico de drogas comandado pela facção criminosa Comboio do Cão, afetando diretamente a dignidade social ao associar luxo à atividade ilícita.

Investigadores identificaram que o companheiro da investigada utilizava contas bancárias em nome dela para movimentar recursos da organização e pulverizar valores provenientes da venda de entorpecentes. Embora a corporação não tenha divulgado oficialmente sua identidade, apurou-se que se trata de Francyara da Silva, conhecida como “Turbinada do Comboio”.

Francyara e seu companheiro, moradores de Anápolis (GO), foram alvos de mandados de prisão temporária com prazo de 30 dias. A Operação Fornitori visa desarticular os braços financeiro e logístico da facção criminosa Comboio do Cão. Diferentemente das fases anteriores, que focaram em lideranças e executores, esta etapa concentra esforços nos responsáveis pelo abastecimento interestadual de drogas e no núcleo encarregado de lavar os recursos obtidos com a atividade criminosa, buscando combater a raiz do problema.

Ao todo, cerca de 120 policiais cumprem 15 mandados de prisão temporária e 20 de busca e apreensão no Distrito Federal, Goiás e Mato Grosso do Sul. As investigações, iniciadas em 2023, revelaram uma estrutura criminosa altamente organizada, com divisão de funções e mecanismos sofisticados de ocultação patrimonial. Empresas de fachada, imóveis e veículos de luxo registrados em nome de terceiros eram utilizados para dissimular a origem dos recursos movimentados pelo grupo, o que compromete a transparência financeira.

A exibição de automóveis de luxo e embarcações, incompatível com os rendimentos oficialmente declarados, reforçou os indícios de lavagem de dinheiro. As apurações também apontam o uso de familiares e terceiros para movimentar valores vinculados à facção. A organização criminosa já foi associada à apreensão de mais de seis toneladas de maconha em 2023 e de outras duas toneladas da droga interceptadas recentemente em Mato Grosso do Sul.

Além das prisões, a Justiça autorizou o sequestro de imóveis e veículos e determinou o bloqueio de contas bancárias em até R$ 1 milhão por investigado ou empresa ligada ao esquema. A decisão judicial determinou o sequestro de sete imóveis, entre eles um lote urbano em Bela Vista/MS, uma casa em Anápolis/GO, um imóvel em condomínio fechado de alto padrão na região de Abadiânia/GO, um terreno em condomínio fechado de alto padrão em São José do Rio Preto/SP, uma casa de alto padrão em Caldas Novas/GO, uma casa em Taguatinga/DF e um imóvel comercial, onde funciona uma fábrica e lanchonete, também em Taguatinga/DF. Os imóveis são avaliados em aproximadamente R$ 4,6 milhões.

A medida também alcançou seis veículos, estimados em R$ 1,5 milhão. O patrimônio inicialmente atingido pelas medidas cautelares soma aproximadamente R$ 6,1 milhões, valor que ainda poderá aumentar com a apreensão de dinheiro, joias, outros veículos, bens de valor e ativos identificados durante o cumprimento dos mandados. Os envolvidos poderão responder por tráfico interestadual de drogas, associação para o tráfico, organização criminosa e lavagem de dinheiro, somando penas que podem ultrapassar 40 anos de prisão, com impacto significativo na segurança pública e na ordem social.

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