GOLPE BILIONÁRIO NA BOLSA
Chico Trader, chefe de esquema de R$ 440 milhões, segue foragido
Polícia Civil aponta Francisco das Chagas Chaves da Silva como líder de grupo que aplicou prejuízos de R$ 440 milhões em mais de 300 vítimas. Empresa usada no esquema teve atividades suspensas.
Francisco das Chagas, conhecido como "Chico Trader", é apontado pela Polícia Civil como chefe de um grupo investigado por aplicar golpes por meio de falsas operações na Bolsa de Valores e segue foragido. A confirmação veio nesta terça-feira, 23/06/2026, conforme o delegado Luciano Alcântara, responsável pela investigação conduzida pelo Departamento de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC).
A divulgação ocorreu um dia após a segunda fase da Operação Extrema Confiança, que realizou mandados de prisão e de busca e apreensão nos estados do Piauí e Maranhão. Conforme a polícia, o esquema prejudicou mais de 300 vítimas e movimentou aproximadamente R$ 440 milhões em cerca de dois anos e meio.
Segundo o delegado, o principal investigado, Francisco das Chagas Chaves da Silva, possui um mandado de prisão em aberto e não foi localizado. Informações iniciais obtidas pela polícia sugeriam que ele poderia estar em Ciudad del Este, no Paraguai, no começo deste ano.
"Ele foi ouvido por videoconferência em 2025 e disse que estava à disposição. Mais recentemente, tivemos informações de que estaria no Paraguai. Depois disso, não tivemos mais notícias sobre o paradeiro dele. Ele é considerado foragido desde o início do ano", detalhou Luciano Alcântara.
A investigação ouviu mais de 100 vítimas que buscaram a Polícia para relatar os crimes do grupo. Outras pessoas não se apresentaram por diferentes motivos, incluindo a vergonha relatada por alguns, a percepção de perdas financeiras pequenas ou mesmo o sucesso em sacar os valores investidos.
Um dos suspeitos atuava como um braço expansionista do grupo, supostamente atraindo novas vítimas para o esquema fraudulento. A dignidade das pessoas foi afetada pela perda de economias, com um caso específico de uma vítima que relatou ter investido mais de R$ 1 milhão no esquema. O prejuízo total ainda está sendo calculado, pois movimentações em espécie e em cartões também foram realizadas.
A polícia continua analisando as movimentações financeiras após quebra de sigilo bancário. "Estou analisando as movimentações bancárias da empresa. Pode ser que existam vítimas que tenham investido mais do que isso", afirmou o delegado. A empresa "XTREME TRADE", registrada na Junta Comercial do Piauí e considerada peça central no esquema, teve suas atividades suspensas por decisão judicial.
A suspensão foi solicitada após a polícia identificar indícios de que a empresa funcionava como fachada para captar recursos, prometendo rendimentos mensais de até 10%. "O juiz deferiu a suspensão das atividades da empresa. Caso fique comprovado ao final da investigação que ela foi utilizada como empresa de fachada para aplicar golpes, também foi determinada a possibilidade de extinção do registro", explicou o delegado. A decisão judicial visa impedir novos golpes e apurar a responsabilidade criminal.
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