CRIME E FUGA

Chefe do PCC, Gerson Palermo, é preso na Bolívia após investigação de sequestro da filha

Gerson Palermo, chefe do PCC, sendo apresentado após prisão na Bolívia
Gerson Palermo, chefe do PCC solto por desembargador de MS é preso na Bolívia

Gerson Palermo, chefe do PCC solto por decisão judicial em MS, foi detido em Santa Cruz de La Sierra. Investigação de sequestro da filha auxiliou na localização.

A prisão de Gerson Palermo, apontado como um dos chefes do Primeiro Comando da Capital (PCC), foi possibilitada por uma investigação da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul focada em um crime envolvendo a família do traficante. Informações coletadas durante a apuração do sequestro da filha de Palermo, ocorrido em outubro de 2025 em meio a uma disputa por valores do tráfico internacional de drogas, foram cruciais para identificar o paradeiro do criminoso.

Palermo foi detido nesta terça-feira, 26 de maio de 2026, em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, em uma operação conjunta entre a Polícia Federal, a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul e a Força Especial de Combate ao Narcotráfico da Bolívia (FELCN). Ele encontrava-se foragido desde abril de 2020.

Com condenações que somam quase 126 anos de prisão, o traficante havia deixado o sistema prisional após ter a prisão domiciliar autorizada pelo desembargador Divoncir Schreiner Maran. Palermo evadiu-se horas após deixar o presídio de segurança máxima de Campo Grande. Segundo o comandante da força antidrogas boliviana, David Gómez, Palermo será expulso do país e entregue às autoridades brasileiras, pois, embora não possuísse processos na Bolívia, utilizava o país para se esconder da Justiça brasileira.

O caso que deflagrou a investigação ocorreu em outubro de 2025 e teve como vítima Gabrielly Sanches Palermo, de 25 anos, filha do traficante. Conforme o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), a jovem foi sequestrada como forma de pressionar a família a quitar uma suposta dívida ligada a Gerson Palermo, estimada entre US$ 100 mil e 200 mil euros, referente a valores deixados sob guarda do ex-sogro, Salvador Sanches, em 2015.

A investigação, conduzida pela Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Bancos, Assaltos e Sequestros (Garras), apontou que Gabrielly foi mantida em cativeiro em Campo Grande, onde sofreu agressões com chutes, socos, puxões de cabelo e coronhadas de arma de fogo na cabeça, além de ter permanecido amarrada. O marido da jovem também teria sido ameaçado. Um suspeito, Reinaldo Silva de Farias, foi preso em flagrante e é apontado como participante do crime.

Após a resolução do sequestro, equipes do Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (Garras) e da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA), com apoio do Núcleo de Inteligência da DEPCA, a Polícia Federal e autoridades bolivianas, avançaram nas apurações. A troca de informações permitiu localizar Gerson Palermo na região de Santa Cruz de La Sierra, onde permaneceu sob monitoramento por meses até a operação que culminou em sua prisão.

Foragido desde abril de 2020, quando conseguiu prisão domiciliar em plantão judicial e fugiu horas depois, Palermo acumula condenações por tráfico internacional de drogas e associação criminosa, totalizando quase 126 anos de prisão. Seu histórico inclui o sequestro de uma aeronave da Vasp em 2000, resultando no roubo de R$ 5,5 milhões, e envolvimento em um esquema de tráfico de cocaína investigado pela Operação All In.

A captura na Bolívia, parte de uma ação conjunta que visa combater o uso do país como rota e refúgio para integrantes do PCC, reforça investigações de segurança pública. A expectativa é de que Palermo seja entregue à Justiça brasileira nos próximos dias.

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