NEGLIGÊNCIA E FALSIFICAÇÃO

Médica recém-formada é denunciada pelo MP-SP por morte de menino mordido por escorpião

Médica Patrícia Cristina Guidio durante atendimento em unidade de saúde.
Patrícia Cristina Guidio, médica denunciada pelo Ministério Público, atendia na UPA Vila Cristina em Piracicaba. Foto: Cremesp/Reprodução

Justiça aceitou denúncia contra profissional por homicídio culposo e falsidade ideológica; MP negou acordo para evitar processo criminal.

A médica Patrícia Cristina Guidio foi denunciada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) pela morte da criança Jamily Vitória Duarte, ocorrida após uma picada de escorpião em Piracicaba (SP). A denúncia, que aponta negligência, falta de preparo técnico e falsidade ideológica, foi formalizada em julho de 2026 e aceita pela Justiça, dando início a um processo criminal que busca esclarecer a conduta da profissional durante o atendimento.

A profissional realizava o atendimento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Vila Cristina quando o caso aconteceu. Conforme registros do Conselho Regional Medicina Estado São Paulo (Cremesp), Patrícia concluiu sua graduação pela Universidade Brasil em 2023, mesmo ano do óbito. Em depoimento prestado à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara de Piracicaba em 2024, a médica declarou que aquele era apenas o seu terceiro plantão na unidade.

O rigor da denúncia baseia-se em laudos do IML de Piracicaba e investigações da Polícia Civil. O MP-SP acusa a médica de inserir informações falsas no prontuário da vítima, ao registrar a prescrição do soro antiescorpiônico que, segundo familiares, teria sofrido demora injustificada para ser administrado. O Ministério Público negou à profissional um Acordo de Não Persecução Penal, decisão que foi mantida pela Procuradoria-Geral de Justiça em 20/08/2026, consolidando o prosseguimento da ação na 3ª Vara Criminal de Piracicaba.

A mãe da criança, Patricia das Graças Adriana Duarte, relatou momentos de angústia ao buscar socorro, afirmando que a médica teria alegado a inexistência do soro na unidade, embora o insumo estivesse disponível. A defesa de Patrícia Cristina Guidio, exercida pela advogada Caroline Fonseca Raimundo, informou que não comentará detalhes enquanto o processo, que tramita sob segredo de Justiça, não for julgado.

Além da esfera criminal, o caso tramita na área cível, onde a família busca reparação. O processo enfrentou impasses administrativos, como uma falha do Instituto de Medicina Social e de Criminologia de São Paulo (Imesc), que chegou a convocar a criança, falecida em 12/08/2023, para exames presenciais. O órgão admitiu o erro em seu sistema e afirmou que o laudo documental está em fase de conclusão.

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