PUNIÇÃO POR IMPROBIDADE

Tribunal cassa aposentadoria de Desembargador após decisão do STF

Arthur Del Guercio Filho em foto oficial de desembargador.
Arthur Del Guercio Filho foi afastado por improbidade administrativa.

Magistrado perdeu o cargo em cumprimento a acórdão. Medida segue novo entendimento do STF sobre a punição máxima para infrações graves.

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) determinou a cassação da aposentadoria do desembargador Arthur Del Guercio Filho, condenado por improbidade administrativa. A medida foi formalizada pelo presidente do TJSP, desembargador Francisco Eduardo Loureiro, na sexta-feira (21/08), com efeitos retroativos ao dia 11 de agosto, em cumprimento a um acórdão proferido no processo.

A decisão marca um precedente inédito no Judiciário paulista, sendo a primeira vez que um magistrado sofre essa penalidade desde que o STF definiu que a perda do cargo deve ser a punição máxima para infrações graves, superando a aposentadoria compulsória. Del Guercio Filho, que integrava a 15ª Câmara de Direito Público do TJSP, enfrentava acusações de solicitar pagamentos indevidos a advogados para favorecer decisões em processos sob sua relatoria.

A trajetória do magistrado no tribunal foi marcada por controvérsias desde que tomou posse, em dezembro de 2005. Em 2013, o então presidente do TJSP, desembargador Ivan Sartori, determinou a abertura de um processo administrativo após denúncias apontarem que Del Guercio teria exigido R$ 35 mil para desempatar um julgamento. À época, o Órgão Especial do TJSP aprovou por unanimidade o afastamento cautelar do desembargador, um marco na história da corte.

Ao longo dos anos, o desembargador negou reiteradamente as acusações, alegando falta de oportunidade de defesa nas etapas da apuração. Em 2013, ele chegou a solicitar a aposentadoria, que foi negada pela presidência do tribunal. Com a atual decisão definitiva, o magistrado perde o vínculo com a instituição, refletindo a rigidez do Judiciário diante de condutas que comprometem a dignidade da função pública e a confiança da sociedade na magistratura.

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