DELAÇÃO ESTRATÉGICA
STF transfere Paulo Henrique Costa por possível delação
Ex-presidente do BRB é transferido da Papuda após sinalizar delação premiada. Acusado de R$ 146 milhões em propina, pode revelar esquema no Banco Master.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta sexta-feira, 8 de maio de 2026, a transferência de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), do Complexo Penitenciário da Papuda para uma sala de estado-maior no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), popularmente conhecida como Papudinha. A decisão, que realoca uma figura central em investigações de alta relevância, ocorre após a defesa do executivo sinalizar formalmente ao STF seu interesse em negociar um acordo de delação premiada no âmbito do caso envolvendo o Banco Master, prometendo revelar informações cruciais sobre um esquema milionário que abala a confiança no Sistema Financeiro Nacional.
A remoção de Costa para as instalações da PMDF foi efetivada por volta das 20h desta sexta-feira, conforme informações confirmadas pelo Metrópoles. Este passo representa um movimento estratégico significativo no cenário judicial, potencialmente abrindo caminho para novas revelações que podem impactar diretamente a integridade de transações financeiras públicas e a responsabilização de outros envolvidos.
No documento encaminhado à Corte, os advogados Eugênio Aragão e Davi Tangerino afirmaram que "o requerente sinalizou interesse em cooperar com as autoridades competentes, possivelmente por meio de colaboração premiada". Contudo, a defesa ressaltou que a concretização da eventual colaboração "depende da convergência de alguns fatores", indicando que as negociações ainda estão em fase preliminar.
Além da sinalização para a delação, os advogados pleitearam que Paulo Henrique Costa seja ouvido pela Procuradoria-Geral da República (PGR). O objetivo é garantir que ele possa exercer "de forma plena" o direito à autodefesa e assegurar "a máxima, senão plena, confidencialidade entre advogado e cliente" durante o processo. Inicialmente, a defesa almejava a transferência para a Superintendência da Polícia Federal (PF), local onde o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, encontra-se detido.
A urgência em selar o acordo de delação é notável: Paulo Henrique Costa busca antecipar-se a Daniel Vorcaro para, assim, obter maiores benefícios no processo. Para que sua colaboração seja aceita, espera-se que ele forneça dados inéditos aos investigadores e identifique figuras hierarquicamente superiores no esquema criminoso, que teriam se beneficiado da fraude. Essa corrida por prioridade revela a pressão e as complexas dinâmicas em jogo nas grandes investigações de corrupção.
O ex-executivo foi detido na 4ª fase da Operação Compliance Zero, sob a acusação de ter recebido R$ 146 milhões em propina. A investigação aponta que o montante teria sido pago para favorecer os interesses do Banco Master em negociações com o BRB. A Polícia Federal detalha que o caso envolve graves crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, incluindo gestão fraudulenta ou temerária de instituição financeira, além de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A potencial delação pode, portanto, desvendar a profundidade e a ramificação de um esquema que ameaçou a solidez do sistema financeiro brasileiro.
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