VIOLÊNCIA VIRTUAL GRAVE

Professora denuncia uso de sua imagem em vídeos pornográficos criados por IA

Imagem ilustrativa de computador conectando-se a redes digitais, representando a investigação de crimes cibernéticos.
O uso de Inteligência Artificial para fins de assédio e humilhação em ambiente escolar preocupa autoridades policiais.

Após descobrir montagens com seu rosto em site adulto, educadora busca responsabilização e alerta para o crescimento de deepfakes em ambiente escolar.

Uma professora de 47 anos busca justiça após ter sua imagem manipulada para a criação de vídeos pornográficos falsos produzidos com Inteligência Artificial, prática que causou danos profundos à sua honra e integridade emocional. O caso veio a público após a vítima registrar boletim de ocorrência em Feira de Santana, no dia 20 de julho, motivada pelo desejo de romper o ciclo de violência e encorajar outras mulheres a denunciarem crimes de exploração digital.

A descoberta ocorreu quando estudantes alertaram a docente sobre a existência de conteúdos em uma plataforma de conteúdo adulto. Em um dos materiais, a vítima aparece vestindo o uniforme da escola onde leciona. Ao tomar conhecimento do ocorrido, a professora descreveu um misto de angústia e choque, ressaltando que sua imagem foi usada sem consentimento em uma tentativa de humilhação pública.

A investigação, conduzida pela Delegacia para o Adolescente Infrator (DAI), aponta que os responsáveis podem ser adolescentes de 15 e 17 anos. A Polícia Civil já identificou o computador utilizado na criação das montagens e o inquérito segue em fase final. Segundo a delegada Clécia Vasconcelos, o registro desse tipo de crime no município triplicou em relação aos anos anteriores, com mulheres representando 98% das vítimas identificadas.

Especialistas reforçam que a exposição indevida provoca danos psicológicos graves, além de afetar a reputação profissional e familiar da vítima. A orientação das autoridades é que, em casos similares, as vítimas não apaguem os conteúdos, mas realizem o arquivamento de provas, como capturas de tela e URLs, antes de procurar a Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) ou registrar a ocorrência via Delegacia Virtual.

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