VIOLÊNCIA DIGITAL EXPOSTA

Paolla Oliveira denuncia esquema de deepfakes sexuais com sua imagem

Paolla Oliveira durante entrevista ao Fantástico discutindo os danos causados por deepfakes.
Guerra ao deepfake: Paolla Oliveira expõe a violência que atinge mulheres e meninas — Foto: Fantástico

Atriz e vítimas relatam os impactos psicológicos de montagens pornográficas criadas por IA; levantamentos apontam crescimento de casos no ambiente escolar.

A utilização criminosa de inteligência artificial para a criação de deepfakes sexuais tem gerado graves violações à dignidade de mulheres e meninas. Durante reportagem exibida pelo Fantástico, a atriz Paolla Oliveira expôs a frequência com que seu rosto é alvo de manipulações digitais, destacando o impacto psicológico dessa forma de violência.

"Quando começou essa coisa de inteligência artificial, você não sabia muito para onde ia. Aí comecei a ver que não tem mais parada. Eu tive situações muito expostas, vexatórias mesmo, de cunho sexual", afirmou a atriz ao relatar as invasões de privacidade sofridas.

O problema transcende a exposição pública de celebridades e atinge o ambiente escolar. Segundo dados da SaferNet, 222 meninas foram vítimas de deepfakes sexuais em escolas brasileiras em um intervalo de seis meses. Em um caso específico em São Paulo, oito adolescentes foram alvos de montagens produzidas por um colega de classe, o que resultou em medidas socioeducativas após investigação conduzida pelo delegado Cristiano.

Especialistas alertam que os registros oficiais representam apenas uma fração do cenário real. Mariana Valente, do InternetLab, explica que a vergonha muitas vezes impede que as vítimas busquem ajuda imediata. Paralelamente, o laboratório NetLab, da UFRJ, identificou um mercado estruturado que lucra com a exploração de imagens falsas. A diretora Marie Santini apontou que 198 anúncios distintos, utilizando a imagem de Paolla Oliveira, circularam em plataformas da Meta, como Facebook e Instagram, direcionando usuários para o Telegram.

Em resposta, a Meta declarou que suas políticas proíbem conteúdos fraudulentos ou sexualmente explícitos, garantindo a remoção de tais materiais quando detectados. O Telegram afirmou que colabora com autoridades judiciais mediante fornecimento de dados como números de telefone e endereços IP. A orientação de autoridades permanece clara: vítimas devem registrar boletim de ocorrência e buscar apoio institucional e familiar.

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