FRAUDE MILIONÁRIA
Polícia investiga biomédico em golpe bilionário e fraude eleitoral
Luiz Teixeira é suspeito de forjar documentos em herança de R$ 1 bilhão e em laudo para eleições de 2024.
As autoridades intensificam a investigação sobre Luiz Teixeira da Silva Júnior, um biomédico sob forte suspeita de envolvimento em dois complexos esquemas de fraude. Ele é apontado como peça central tanto na tentativa de golpe de quase R$ 1 bilhão contra a herança do empresário João Carlos Di Genio, fundador do grupo Objetivo, quanto na alegada falsificação de um laudo médico divulgado por Pablo Marçal durante as eleições de 2024. As apurações revelam um preocupante padrão de uso de documentos forjados para conferir legalidade a informações fraudulentas, abalando a dignidade da família lesada e a confiança no processo eleitoral.
No caso mais recente, ligado à corrida eleitoral, a polícia investiga se Teixeira teria forjado a assinatura de um médico em um laudo. Este documento, então divulgado publicamente, teria o objetivo de sugerir, sem qualquer comprovação, o uso de substâncias ilícitas por um adversário político. O biomédico nega veementemente a acusação perante a Justiça Eleitoral, mas a suspeita paira sobre a integridade da campanha.
Paralelamente, no escândalo envolvendo a herança bilionária de Di Genio, o nome de Luiz Teixeira figura em uma empresa imobiliária que apresentou uma cobrança milionária à família do empresário. A alegação era de uma suposta compra de 448 lotes no interior de São Paulo, um negócio que teria sido selado pelo próprio fundador do grupo Objetivo ainda em vida. No entanto, as investigações apontam que os documentos que sustentavam essa cobrança mostram fortes indícios de falsidade. Peritos identificaram que assinaturas legítimas de Di Genio teriam sido recortadas de outros registros e inseridas digitalmente em contratos forjados, datados retroativamente.
Para complicar ainda mais o cenário, a notificação que supostamente informava a família sobre a dívida também teria sido forjada, incluindo a assinatura de um porteiro. A ausência dos documentos originais apenas reforçou as suspeitas dos investigadores. Mesmo com todas as inconsistências, o grupo tentou legitimar a cobrança por meio de uma decisão de arbitragem, que inexplicavelmente reconheceu a dívida e elevou seu valor para quase R$ 1 bilhão. Essa sentença foi emitida sem a participação da viúva do empresário, sob a justificativa de que ela teria sido intimada — um ponto duramente contestado pela investigação.
A defesa de Luiz Teixeira sustenta que ele ingressou na empresa imobiliária somente após a suposta assinatura do contrato dos terrenos. Ele também contesta a validade da perícia apresentada, afirmando sua disponibilidade para colaborar com a Justiça. Apesar disso, o biomédico é atualmente considerado foragido.
Esta não é a primeira vez que Luiz Teixeira da Silva Júnior é alvo de apurações por uso de documentos suspeitos. Em 2019, ele foi investigado por tentar converter seu diploma de biomédico em um certificado de Medicina, tendo o registro negado pelo Conselho Regional de Medicina de São Paulo. Contudo, em 2024, ele obteve um diploma e registro profissional de medicina, mesmo após uma condenação anterior por falsificação de documentos para se passar por médico – processo que ainda está em andamento.
Para os investigadores, a reincidência desses episódios, todos envolvendo documentos questionáveis, sugere um padrão de atuação. No caso da herança bilionária, a polícia apura crimes de estelionato, falsidade ideológica e organização criminosa. Já no episódio eleitoral, a investigação foca na suspeita de uso de documento falso com finalidade política, um atentado direto à transparência e legalidade do pleito.
A defesa de Luiz Teixeira nega quaisquer irregularidades em ambos os casos que envolvem seu cliente, mantendo a tese de inocência frente às acusações.
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