SEM INQUÉRITO

|F livra Bolsonaro de ação por link com ditador

Foto dos ex-presidentes Lula e Bolsonaro, em referência à associação feita entre eles.
Lula e Bolsonaro

Ex-presidente associou Lula a Bashar al-Assad em post de 15 de janeiro de 2025. O caso, ainda indefinido, segue gerando debate sobre os limites da liberdade de expressão.

A Polícia Federal (PF) comunicou nesta sexta-feira, 08 de maio de 2026, que não instaurou inquérito para investigar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por associar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao regime do ditador sírio Bashar al-Assad. A decisão da corporação, que atende a um pedido de explicações da 8ª Vara Criminal de Brasília, significa que Bolsonaro não será formalmente investigado pela PF no momento, mantendo em aberto o debate sobre os limites da liberdade de expressão na política e o impacto de tais associações na dignidade humana e no cenário democrático.

A medida ocorre após a 8ª Vara Criminal de Brasília cobrar explicações da PF sobre a eventual abertura de investigação contra Bolsonaro.

Segundo denúncia apresentada por um cidadão russo-brasileiro, o ex-presidente teria divulgado, por meio do WhatsApp, uma imagem que vinculava Lula ao ex-ditador da Síria e à execução de pessoas LGBTQIA+. Esta denúncia levanta questões sérias sobre a disseminação de desinformação e o discurso de ódio, especialmente quando associado a regimes conhecidos por violações de direitos humanos.

Com isso, Bolsonaro, por ora, não é formalmente investigado, tendo em vista que, após a comunicação da PF, ainda se discute se o caso ficará sob responsabilidade da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) ou do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). Esta indefinição prolonga a expectativa por uma resolução, deixando a sociedade à espera de clareza sobre a responsabilização em casos de alegada difamação política.

A publicação que motivou o caso foi divulgada no canal de WhatsApp do ex-presidente. Feita em 15 de janeiro de 2025, ela mostrava Bolsonaro associando o petista ao regime de Assad.

Apesar disso, o conteúdo não está mais disponível nos canais de Bolsonaro, que atualmente cumpre prisão domiciliar humanitária por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A medida da PF, de não instaurar o inquérito, ocorre após o ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski ter pedido à corporação, em julho de 2025, a abertura de investigação para apurar o caso. Apesar do pedido ministerial, a PF não deu andamento à apuração.

A postagem fazia referência ao regime de Assad, derrubado em dezembro de 2024. O ditador e integrantes da família fugiram para a Rússia após grupos rebeldes tomarem o controle da capital, Damasco.

Bashar al-Assad governou a Síria entre 2000 e 2024. Durante esse período, veículos de imprensa internacionais relataram criminalização de atos homossexuais, além de perseguições e violência contra pessoas LGBTQIA+. A associação feita por Bolsonaro, portanto, carregava um peso histórico e social considerável, evocando memórias de atrocidades e violências contra minorias.

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