SEGURANÇA PÚBLICA EM PAUTA

Justiça do RN torna réus 25 integrantes da cúpula de facção Sindicato do Crime

Martelo da Justiça em bancada, simbolizando a decisão judicial que torna réus membros de facção criminosa no Rio Grande do Norte.
Imagem ilustrativa de martelo de juiz, símbolo da Justiça, em contexto de decisão judicial.

Decisão judicial move processo contra indivíduos por crimes como tráfico, comércio de armas e lavagem. Operação Treme Tudo revelou estrutura e alianças interestaduais.

A Justiça do Rio Grande do Norte aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público (MPRN), transformando 25 investigados em réus por integrarem a cúpula da facção criminosa Sindicato do Crime, originada no território potiguar. A decisão, divulgada nesta sexta-feira, 08, representa um passo decisivo no combate ao crime organizado, dando início ao processo criminal contra indivíduos apontados como líderes de uma estrutura que amedronta a sociedade e mina a segurança pública. O ato judicial visa desmantelar o poder e a influência da organização, buscando restaurar a ordem e a dignidade dos cidadãos afetados.

A ação é resultado das investigações da operação Treme Tudo, deflagrada em 10 de dezembro de 2025 para desarticular células armadas da facção criminosa. Houve cumprimento de mandados judiciais no Rio Grande do Norte, Pernambuco, Alagoas e Rondônia.

Além dos 25 integrantes da organização, o MPRN também denunciou uma advogada suspeita de auxiliar a facção no repasse de informações e ordens para crimes. Os denunciados respondem pelos crimes de integrar organização criminosa armada, associação para o tráfico de drogas, comércio clandestino de armas de fogo e lavagem de capitais.

A estrutura organizacional da facção, detalhada pelo Ministério Público, revela uma hierarquia complexa. No topo, a “Final”, composta pelos fundadores. Abaixo, o “Conselho Estadual” ou “CBF”, órgão deliberativo que define diretrizes estratégicas e autoriza execuções. Alligueiton Patrício de Araújo, conhecido como Ponta ou Adidas, é apontado como liderança do conselho. Ele enfrenta acusações por integrar organização criminosa armada, associação para o tráfico (dez vezes), comércio ilegal de armas e lavagem de capitais (sete vezes).

No nível operacional, destacam-se líderes de células e responsáveis pela arrecadação. Edson Cardoso Beserra, o Gato, atuava como gestor financeiro e responde por organização criminosa e associação para o tráfico. Rodrigo Rodrigues Salviano, conhecido como Mago Rodrigo, e Vitor Vinícius de Moura Torres, o Chumbada, tinham atuação nos bairros Golandim e Guarita, respectivamente. Eles são acusados de integrar a organização e associação para o tráfico. Outros líderes locais, como Alexsandro Freitas de Souza (Senhor), Iranilson de Lima Rodrigues (Libra) e José Henrique Alves de Oliveira (Cabeludo), também respondem por integrar organização criminosa armada.

A facção possui ainda setores especializados, como Transparência, Cadastro Geral e Geral do Sistema, ocupados por Ricardo Alexandre do Nascimento (Alienígena) e Lenilson Silva dos Santos (KLG), ambos acusados de integrar a organização criminosa. Kleiton da Silva (Forasteiro) controlava dívidas e gerenciava as operações em Ponta Negra, enfrentando a mesma acusação. Eudes da Cruz Ribeiro Júnior (Brexa) era responsável pela logística bélica e financeira em Parnamirim. Mesmo custodiado, Marcelo André de Oliveira (Bença) é apontado como parte do núcleo de comando. Lucas Vinícius Ernesto Dantas (Afeganistão), Jefferson Kleyton Fernandes (Bomba) e Arthur Kelwen Dantas da Silveira respondem por associação para o tráfico e comércio de armas.

A organização criminosa mantém uma estrutura paralela, a “Sintonia dos Gravatas”, composta por advogados. As investigações da operação Treme Tudo revelaram que uma advogada servia como ponte para repassar mensagens de líderes presos. Ela foi presa em flagrante no dia da deflagração da operação com “catataus” – bilhetes usados para transmitir ordens criminosas. Ela é acusada de integrar organização criminosa armada e de embaraçar a investigação de infrações penais.

As apurações desvendaram alianças estratégicas com grupos criminosos de outros Estados, incluindo a Nova Okaida (PB), GDE (CE), ADE (GO), BDM (BA) e TCP (RJ/CE/GO). Foi identificada uma conexão direta com o Comando Vermelho no Amazonas através de Josue Moraes de Almeida (Gatiado), apontado como líder daquela facção e fornecedor de entorpecentes para o grupo potiguar. Ele responde por integrar organização criminosa armada e associação para o tráfico. Francisco Shalon Bezerra de Araújo (Moeda) atuava como intermediário no tráfico interestadual, e agora enfrenta acusações por organização criminosa, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro.

Para ocultar a origem ilícita do dinheiro, a facção utilizava contas de terceiros. Lucas Pereira de Oliveira Silva (LK) é apontado como operador financeiro e logístico de Alligueiton, e responde por organização criminosa, associação para o tráfico e lavagem de capitais. Yanne Pinheiro Teixeira também é acusada de lavagem de capitais por disponibilizar suas contas bancárias para a circulação de valores provenientes do tráfico.

Com o recebimento da denúncia, a Justiça manteve a prisão preventiva de 15 réus para garantir a ordem pública. Contudo, acusados como Rodrigo Rodrigues Salviano, Arthur Kelwen e Luciano Ferreira da Silva permanecem foragidos, sendo ativamente procurados pelas autoridades. O processo criminal avança agora para a fase de citação dos réus e apresentação da resposta à acusação, marcando o início formal da defesa. O MPRN solicitou a transferência de todos os veículos e valores em espécie apreendidos para a posse do Estado, uma medida essencial para desarticular financeiramente a facção e enfraquecer seu poder de operação.

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