CASO DE ENVENENAMENTO

Depoimento de mãe acusada de matar filha por envenenamento divide especialistas

Imagem de arquivo utilizada em reportagem sobre o caso das mortes investigadas em Pontal.
Elizabete Arrabaça diz que filha mais velha mentiu em depoimento que investiga morte de Nathália Garnica, em Pontal (SP) — Foto: Reprodução/TJSP

Defesa e acusação divergem sobre validade do depoimento de ré acusada de matar a própria filha e a nora; magistrada decidirá se caso vai a júri popular.

Especialistas em direito penal avaliam o recente depoimento de Elizabete Arrabaça, ré acusada de matar a filha, Nathália Garnica, por envenenamento. A oitiva, realizada após um longo período de prisão preventiva, tornou-se o ponto central das discussões jurídicas que buscam determinar se a mulher enfrentará o Tribunal do Júri ou se há elementos para uma sentença de pronúncia.

Elizabete está presa desde 20/08/2025 na Penitenciária de Tremembé. Inicialmente detida pelas investigações sobre a morte da nora, Larissa Rodrigues, em Ribeirão Preto (SP), a situação da ré se agravou após a exumação do corpo de Nathália, que confirmou a presença de veneno do tipo "chumbinho".

Durante o interrogatório, a ré reafirmou sua inocência e acusou a filha mais velha, Viviane Garnica, de distorcer fatos em juízo. O advogado Bruno Ribeiro, que compõe a defesa, sustenta que o Ministério Público baseia-se em indícios circunstanciais e "testemunhas de ouvir dizer", defendendo que a relação entre mãe e filha era harmônica.

Em contrapartida, o assistente de acusação Júlio Mossin aponta contradições severas no relato. Segundo Mossin, a ré apresentou justificativas financeiras incoerentes e narrou uma dinâmica sobre a chegada do Samu que conflita com os registros documentais e periciais do caso. A acusação enfatiza a existência de provas robustas sobre movimentações financeiras no patrimônio da vítima após seu falecimento.

O processo encontra-se em fase final de instrução, com a juíza do caso determinando a apresentação de memoriais escritos pelo Ministério Público e pela defesa em um prazo de cinco dias. Caso a pronúncia seja confirmada, a ré poderá recorrer a instâncias superiores, como o TJ-SP, o STJ e o STF, processo que, segundo juristas, pode prolongar a espera por um julgamento definitivo por anos.

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