Custódia indefinida

Defesa de Daniel Vorcaro busca evitar transferência para presídio comum

Fachada da Superintendência da Polícia Federal em Brasília.
Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde Daniel Vorcaro está detido.

Decisão do STF sobre onde o ex-banqueiro Daniel Vorcaro permanecerá detido aguarda análise do ministro André Mendonça; defesa teme volta para prisão comum.

A equipe de defesa de Daniel Vorcaro aguarda a decisão do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), para definir o local de custódia do ex-banqueiro. A preocupação central da defesa é a possibilidade de transferência de Vorcaro para uma prisão comum, após o indeferimento de sua segunda proposta de delação premiada pela PF (Polícia Federal) e pela PGR (Procuradoria-Geral da República).

Um pedido de prisão domiciliar foi apresentado ao STF na semana passada. Atualmente, Daniel Vorcaro está em uma cela na Superintendência da PF, em Brasília. Caso a Justiça negue o uso de tornozeleira eletrônica em casa, a defesa espera que o ministro Mendonça autorize a permanência de Vorcaro no local atual, uma posição que a PF já sinalizou ser contrária.

Conforme noticiado anteriormente, o ministro Mendonça deve priorizar a preservação da integridade física de Vorcaro. A continuidade na Superintendência da PF permitiria evitar o contato com outros potenciais delatores, como o ex-presidente do BRB (Banco de Brasília), Paulo Henrique Costa.

Durante uma sessão da 2ª Turma do STF, realizada na terça-feira, 16 de junho de 2026, na qual foi confirmada a prisão de Henrique Vorcaro, pai do ex-banqueiro, o ministro André Mendonça destacou que todas as ações em casos como o do Banco Master buscam garantir a segurança dos envolvidos.

Outro fator considerado pelo ministro é a preparação de uma terceira proposta de colaboração premiada por parte de Daniel Vorcaro. Relatos indicam que o ex-banqueiro estaria buscando novos advogados para avançar com essa terceira tentativa de delação.

Vorcaro já mudou de advogados em duas ocasiões anteriores. Atualmente, sua defesa é conduzida por Sérgio Leonardo, ex-presidente da OAB de Minas Gerais, que assumiu a liderança após a saída do advogado criminalista José Luis Oliveira, conhecido como Juca.

Informações de pessoas próximas ao dono do Banco Master indicam que a perspectiva de retornar ao Complexo Penitenciário da Papuda causou apreensão em Daniel Vorcaro. Ele teria comunicado à sua defesa a intenção de apresentar um material "mais robusto" desta vez.

Investigadores e delegados da PF têm afirmado que uma delação premiada só será considerada válida se apresentar informações comprovadas e que não omitam a participação de autoridades em esquemas de corrupção.

Daniel Vorcaro foi preso preventivamente em 4 de março de 2026, durante a terceira fase da Operação Compliance Zero. A detenção foi autorizada pelo ministro André Mendonça, com base em indícios de organização criminosa, crimes financeiros e ameaças a jornalistas e opositores.

Inicialmente detido em São Paulo, Vorcaro foi transferido para Brasília e levado à Penitenciária Federal. Posteriormente, em virtude da possibilidade de delação premiada e após a assinatura de um termo de confidencialidade, sua custódia foi transferida para a Superintendência da PF, facilitando contatos frequentes com seus advogados.

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