VIOLÊNCIA COMO SERVIÇO

Redes criminosas recrutam adolescentes como assassinos de aluguel na Europa

Equipes de segurança em operação contra o crime organizado na Europa.
A Rede Foxtrot utiliza táticas de recrutamento digital para transformar jovens vulneráveis em executores de crimes.

Facções utilizam táticas de gamificação em redes sociais para atrair jovens vulneráveis a missões letais, transformando menores em executores de ordens transnacionais.

Redes de crime organizado na Europa têm expandido o uso de adolescentes para a execução de assassinatos sob encomenda, um modelo de negócios denominado "violência como serviço". A prática, que utiliza táticas de aliciamento via redes sociais, tem levado jovens vulneráveis a cometer crimes graves em nome de facções criminosas e interesses geopolíticos.

Um dos casos mais emblemáticos envolve Johannes Natland, um adolescente norueguês condenado na última semana por um júri do tribunal Old Bailey, em Londres, por planejar um homicídio em West Yorkshire. O envolvimento de Natland começou após um contato online que prometia o equivalente a R$ 143 mil, em uma estrutura logística que imitava a lógica de videogames.

O sistema é operado majoritariamente pela Rede Foxtrot, grupo que, segundo autoridades, coordena ataques não apenas para controle de tráfico, mas também em alinhamento com o regime iraniano contra dissidentes e alvos israelenses. De acordo com a Europol, agência de polícia da União Europeia, a organização recruta menores sabendo que eles raramente receberão o pagamento, dado que o destino mais comum desses jovens é a prisão.

Para combater a escalada, a Europol estabeleceu a OTF GRIMM, força-tarefa que articula esforços de 11 países, incluindo Alemanha, Bélgica, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Islândia, Noruega, Países Baixos, Reino Unido e Suécia. Apesar de prisões estratégicas, como a de suspeitos de atuarem na logística dos crimes, a liderança da rede, capitaneada por Rawa Majid, permanece ativa a partir do Irã.

Especialistas alertam que o modelo de exploração de menores para a violência se tornou contagioso, sendo adotado por outros grupos criminosos, como a Rede Dalen. Enquanto as investigações seguem, a proteção de adolescentes em situações de vulnerabilidade social desponta como o principal desafio de segurança pública para os governos europeus.

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