CRIME E CORRUPÇÃO

Áudio revela plano de líder de quadrilha para obstruir investigação da PF

Imagem ilustrativa de operação da Polícia Federal referente ao desvio de valores da Caixa
Quadrilha que desviou R$ 45 milhões da Caixa teve acesso antecipado a documento sigiloso da Justiça — Foto: Fantástico

Investigação aponta vazamento de decisões sigilosas da Justiça Federal para organização criminosa que desviou milhões da Caixa.

A Polícia Federal identificou uma gravação em que o suposto líder de uma organização criminosa cogita o uso de violência para interromper apurações contra o grupo. A decisão de investigar o caso ganhou novos contornos após a descoberta de que criminosos tiveram acesso antecipado a documentos sob sigilo judicial.

O áudio, encontrado pela Polícia Federal durante a análise de dispositivos apreendidos, traz a voz atribuída a Jader Henrique Arias de Almeida. No registro, ele discute o avanço das investigações sobre fraudes contra a Caixa Econômica Federal e sugere medidas extremas: "O dinheiro da pessoa só segura aqui, segura ali... segura a delegacia... manda matar...", diz o trecho. De acordo com as autoridades, não há provas de que a ameaça tenha sido concretizada.

O caso tornou-se mais grave com a revelação de que integrantes da quadrilha receberam informações internas da Justiça Federal. O documento sigiloso que autorizava a operação foi compartilhado entre os criminosos antes do cumprimento dos mandados, evidenciando uma falha de segurança que permitiu o vazamento de dados protegidos.

A Polícia Federal aponta que três servidores teriam facilitado o acesso às informações sigilosas. Entre os investigados está o servidor Jackson Cozendey, cujo registro de consulta ao processo coincidiu com uma conexão de internet vinculada ao escritório de advocacia de sua esposa, Gabrielle Cozendey. Embora a defesa negue qualquer relação com o esquema, a investigação identificou movimentações financeiras atípicas na conta da advogada, que atingiram R$ 1,74 milhão em seis meses.

Enquanto o Fantástico apurou que a Polícia Federal e o Ministério Público Federal solicitam novos mandados para aprofundar as apurações, os servidores citados foram afastados de suas funções. A Justiça Federal, por meio do TRF, não se pronunciou sobre o caso. As defesas dos demais envolvidos, incluindo Matheus Casado Natário, Isabely Alves de Sousa e Enzo Grillo Filho, não se manifestaram até o momento.

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