COOPERAÇÃO MILITAR ESTRATÉGICA

Javier Milei autoriza exercício naval com Brasil em meio a crise com Lula

Foto de Javier Milei e Lula em encontro oficial do G20.
O presidente argentino Javier Milei e o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva durante cúpula do G20.

Mesmo após rebaixamento de relações diplomáticas, governo argentino mantém operação Fraterno XXXIX para garantir interoperabilidade entre as forças.

O governo de Javier Milei autorizou a entrada de militares e meios da Marinha brasileira em território argentino para a realização de um exercício naval conjunto no Atlântico Sul, mantendo a cooperação militar apesar do cenário de instabilidade diplomática entre Brasil e Argentina. A medida foi formalizada nesta quinta-feira (6/8), por meio do Decreto 717/2026, publicado no Diário Oficial argentino.

A operação, denominada Fraterno XXXIX, está programada para ocorrer a partir de 13 de agosto, com duração de 12 dias. As atividades contemplam o uso de navios de superfície, aeronaves e submarinos, concentrando-se entre as bases navais de Puerto Belgrano e Mar del Plata e em águas sob jurisdição argentina. O treinamento visa a padronização de procedimentos de comando e o fortalecimento da capacidade de atuação coordenada entre as nações.

A decisão da administração de Javier Milei ocorre apenas dois dias após o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciar o rebaixamento das relações diplomáticas com a Argentina. O movimento brasileiro sucedeu uma série de ataques proferidos pelo presidente argentino contra Lula e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, durante a participação de Javier Milei na convenção do Partido Liberal (PL), em São Paulo, que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República.

Em resposta à escalada, o Itamaraty convocou o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Glinternick Bitelli, para consultas, enquanto o chanceler Mauro Vieira formalizou um protesto junto à embaixada argentina. Apesar do embate ideológico, o governo de Buenos Aires defendeu, por meio do decreto, a continuidade da operação. O texto justifica que a participação é vital para preservar a segurança internacional e a estabilidade regional, salientando que a ausência de uma das partes prejudicaria treinamentos complexos, incluindo táticas antissubmarino.

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