GEOPOLÍTICA GLOBAL

Lula critica Trump e ONU: "Mundo não pode se curvar"

Presidente Lula discursando na feira Hannover Messe na Alemanha, criticando Donald Trump, a ONU e as guerras globais.
Lula em discurso na Hannover Messe 2026, na Alemanha, em 19 de abril de 2026, onde criticou a geopolítica global.

Presidente Lula condena conflito no Irã e gasto de US$ 2,7 trilhões em guerra, além de desafiar a ineficácia do Conselho de Segurança da ONU durante discurso na Alemanha, em 19 de abril de 2026.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) elevou o tom de suas críticas à postura dos Estados Unidos e ao ex-presidente Donald Trump, além de questionar a ineficácia do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), durante um discurso proferido na Hannover Messe 2026, na Alemanha, neste domingo, 19 de abril de 2026. O líder brasileiro classificou a guerra contra o Irã como uma “maluquice” e alertou que o Mundo não pode se submeter à lógica de um líder que impõe sanções e conflitos via redes sociais, ressaltando o impacto devastador dos bombardeios indiscriminados em regiões como o Oriente Médio.

Lula enfatizou a contradição de um cenário global onde avanços espaciais coexistem com a tragédia de civis, mulheres e crianças mortos em conflitos. “Vivemos um momento crítico na geopolítica global, marcado por grandes paradoxos: enquanto astronautas sobrevoam a lua, bombardeios matam, de forma indiscriminada, civis, mulheres e crianças no Oriente Médio”, declarou o chefe de Estado.

Em viagem pela Europa, que teve início neste sábado, 18 de abril de 2026, na Espanha, e segue por Alemanha e Portugal, o presidente também dirigiu duras palavras ao Conselho de Segurança da ONU. Ele lembrou que o órgão foi estabelecido para assegurar a paz mundial, mas, ironicamente, o planeta enfrenta a “maior quantidade de conflitos da sua história depois da Segunda Guerra Mundial”.

Dirigindo-se a uma audiência de empresários e autoridades, Lula questionou abertamente os líderes das cinco nações com assento permanente no Conselho de Segurança: o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, e os presidentes dos Estados Unidos (Donald Trump), da Rússia (Vladimir Putin), da China (Xi Jinping) e da França (Emmanuel Macron). “Para que que serve o Conselho de Segurança da ONU? Por que que vocês não se reúnem e não param com essas guerras?”, indagou.

O presidente brasileiro também alertou para os perigos da inteligência artificial quando usada para fins bélicos, afirmando que ela tem sido empregada para selecionar alvos militares “sem parâmetros legais ou morais”. Ele sublinhou que alguns membros permanentes do Conselho de Segurança atuam “sem amparo da carta da ONU”, agravando a crise de segurança internacional.

Lula frisou que, além das “inestimáveis perdas humanas”, os conflitos armados geram “prejuízos econômicos palpáveis”. “Não é possível que nós estejamos gastando US$ 2,7 trilhões em guerra e nada para acabar com a fome no planeta”, lamentou o presidente, sublinhando a urgência de priorizar a vida e o desenvolvimento humano.

Alta no petróleo

Em outro ponto de sua fala, o presidente abordou o impacto econômico dos conflitos. Lula ressaltou que o Brasil é um dos “países menos afetados” pela escalada dos preços de derivados do petróleo, atribuída ao conflito no Irã. Ele explicou que o governo federal implementou medidas estratégicas para mitigar os efeitos da crise, uma vez que o Brasil importa apenas 30% de seu óleo diesel. “O Brasil é um dos países menos afetados pela maluquice da guerra feita com o Irã. Nós não estamos sofrendo o aumento do preço do petróleo, como muitos países estão sofrendo, porque o governo tomou medidas, e o Brasil só importa 30% do seu óleo diesel”, concluiu o presidente.

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