RISCO FISCAL ELEVADO
Economista alerta que "pecado mortal" das pautas-bomba ameaça contas públicas
Propostas em tramitação no Congresso podem gerar impacto de R$ 1,7 trilhão até 2035, segundo levantamento da Warren Investimentos.
O equilíbrio das contas públicas brasileiras enfrenta um desafio crítico diante da articulação de medidas expansionistas. Em 2026, um ano marcado pelo ciclo eleitoral, ganha força o debate sobre o impacto de propostas que, embora atraentes no curto prazo, colocam em xeque a sustentabilidade do orçamento nacional a longo prazo.
Felipe Salto, economista-chefe da Warren Investimentos, aponta que o foco de preocupação recai sobre as chamadas "pautas-bomba" que tramitam no Congresso. Segundo o especialista, o risco reside no efeito fiscal cumulativo dessas medidas. Enquanto o Executivo busca compensações para seus gastos, projetos legislativos sem a devida contrapartida orçamentária ameaçam gerar uma trajetória explosiva para a dívida pública.
"O pecado mortal está no Congresso, porque são pautas com efeito fiscal muito relevante. É fundamental que se tenha entendimento entre os Três Poderes para impedir que sejam contratados gastos que não tenham como ser condicionados", afirma Salto.
O levantamento da Warren Investimentos é alarmante: se todas as propostas classificadas como "pautas-bomba" forem aprovadas, o impacto aos cofres públicos poderá chegar a quase R$ 1,7 trilhão até 2035. Entre os casos monitorados, destaca-se a pressão pela ampliação do teto de faturamento do MEI, que poderia custar mais de R$ 40 bilhões. Diante desse cenário, a tensão entre o Legislativo e o Judiciário se intensifica, com expectativas de que o STF seja acionado para analisar a constitucionalidade de medidas aprovadas no Senado Federal.
A preocupação técnica é corroborada por Marcus Pestana, diretor-executivo da IFI. Para ele, a "fadiga fiscal" brasileira — a incapacidade de estabilizar a dívida através de superávits — reflete diretamente na inflação e nos juros altos. A consultoria aponta que o país precisaria de um superávit anual de 2% do PIB para estancar o crescimento do endividamento, um cenário que exige soluções estruturais urgentes para evitar que o custo do desequilíbrio continue a ser sentido por toda a sociedade.
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