TENSÃO GEOPOLÍTICA GLOBAL

Petróleo registra queda diante de expectativa por trégua entre Estados Unidos e Irã

Tanques de armazenamento de petróleo sob um céu nublado.
Instalações de produção de petróleo operam sob tensão diante da instabilidade no Golfo Pérsico.

Mercados reagem a possíveis negociações de cessar-fogo enquanto ataques militares persistem e ameaças ao comércio marítimo elevam incertezas sobre o fornecimento.

Os mercados globais de energia registraram desvalorização nas cotações nesta terça-feira (21), refletindo a cautela de investidores diante de sinais de mediação diplomática entre Estados Unidos e Irã. A instabilidade ocorre em um cenário de ataques militares cruzados e riscos crescentes às rotas de suprimento marítimo.

Os contratos futuros do petróleo Brent apresentaram queda de 78 centavos, situando-se em US$ 88,44 por barril, conforme dados observados às 1h15 (horário de Brasília). Simultaneamente, o petróleo WTI (West Texas Intermediate) recuou 73 centavos, atingindo US$ 82,50 por barril, enquanto o contrato para entrega em setembro registrou perda de 41 centavos, cotado a US$ 82,07.

Analistas do ING indicam que a esperança por uma desescalada reside em propostas de um cessar-fogo de 10 dias, que buscaria retomar o Memorando de Entendimento firmado em junho. Contudo, a efetivação da trégua enfrenta obstáculos severos devido às divergências persistentes entre Washington e Teerã, somadas às advertências de retaliação do presidente Donald Trump após baixas militares norte-americanas.

A tensão diplomática segue o ritmo dos conflitos iniciados em 28 de fevereiro. Na segunda-feira (20), o Comando Central dos EUA reportou o início de uma nova rodada de bombardeios contra o território iraniano, em resposta a ataques da Guarda Revolucionária do Irã contra instalações militares dos Estados Unidos.

A segurança marítima também sofre impactos diretos. A agência Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido (UKMTO) reportou nesta terça-feira (21) que um petroleiro no Estreito de Ormuz foi atingido por um projétil, forçando a evacuação da tripulação. A cautela no transporte regional agravou-se com o anúncio feito na segunda-feira (20) pelos houthis do Iêmen, que ameaçaram impor um bloqueio naval à Arábia Saudita.

Para o mercado, a ampliação do conflito representa uma ameaça sistêmica ao comércio global. Tim Waterer, da KCM Trade, ressalta que o bloqueio visado pelos houthis pode desestabilizar as exportações de outro grande player do setor, exacerbando riscos de desabastecimento. Enquanto a diplomacia tenta mitigar a crise, a expectativa por dados sobre os estoques americanos, divulgados na segunda-feira (20), mantém a volatilidade no setor.

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