INTERNACIONAL
ICE dos EUA liberta Ramagem após dois dias preso
O ex-deputado, foragido da Justiça brasileira, foi detido em 13 de maio por irregularidade migratória e liberado em 15 de maio. A ação teve apoio da Polícia Federal.
Entre segunda-feira, 13 de maio, e quarta-feira, 15 de maio, o Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE) dos Estados Unidos deteve e, posteriormente, liberou Alexandre Ramagem, ex-deputado federal (PL-RJ) e delegado da Polícia Federal. A prisão de Ramagem, que era foragido da Justiça brasileira, ocorreu devido a irregularidades migratórias e foi o ápice de um trabalho de inteligência que envolveu a Polícia Federal do Brasil. O episódio ressalta a efetividade da cooperação internacional no combate à impunidade, reforçando a mensagem de que a fuga da justiça tem alcance limitado e afeta diretamente a dignidade das instituições.
A localização e a detenção
O paradeiro de Ramagem foi descoberto após a Polícia Federal brasileira localizar o veículo que ele utilizou para buscar a esposa no aeroporto, logo após sua fuga para os Estados Unidos. A partir dessa pista crucial, as autoridades identificaram sua residência em Orlando. Durante o monitoramento, foi revelado que Ramagem havia adquirido um automóvel usando um passaporte que já havia sido cancelado por determinação da Justiça brasileira, configurando a irregularidade migratória que levou à sua detenção.
Agentes do ICE abordaram o ex-parlamentar em via pública enquanto ele caminhava, inicialmente alegando uma infração de trânsito para realizar a checagem de documentos. Ao apresentar o passaporte vencido, a situação irregular foi confirmada e a prisão, efetuada. Ramagem havia deixado o Brasil de forma clandestina, atravessando a fronteira de Roraima com a Guiana antes da conclusão de seu julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), e de lá seguiu para a Flórida.
Cooperação entre fronteiras
A prisão de Ramagem foi o resultado de meses de trabalho de inteligência. Um delegado da Polícia Federal brasileira, atuando como oficial de ligação junto ao ICE em Miami, desempenhou um papel fundamental, emitindo os alertas necessários que auxiliaram as agências norte-americanas na captura. Essa estratégia integra um acordo de cooperação mútua entre as forças de segurança dos dois países, essencial para o combate ao crime organizado e a localização de foragidos de alta periculosidade ou relevância.
Embora houvesse uma tentativa de obter um mandado de prisão por fraude documental, o pedido foi negado pela Justiça americana. Desta forma, a operação manteve o foco na situação migratória do brasileiro, culminando na detenção por irregularidade no passaporte.
Quem é Alexandre Ramagem?
Alexandre Ramagem, delegado da Polícia Federal desde 2005, ganhou notoriedade ao chefiar a segurança do ex-presidente Jair Bolsonaro após o atentado em 2018. Sua trajetória inclui a chefia da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), período sob investigação devido ao caso conhecido como "Abin Paralela", onde é alvo de apurações sobre o uso da estrutura do órgão para monitorar ilegalmente adversários políticos.
Em 2020, uma tentativa de Bolsonaro de nomeá-lo Diretor-Geral da PF foi suspensa pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, devido à sua proximidade pessoal com a família presidencial. Em 2022, foi eleito deputado federal pelo PL-RJ, mas teve seu mandato cassado pela Mesa Diretora da Câmara em dezembro do ano passado, após condenação criminal na trama golpista. Mais recentemente, em 2024, disputou a Prefeitura do Rio de Janeiro, alcançando o segundo lugar na eleição.
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