JUSTIÇA E CRIME
Prisão perpétua para El Mayo: o fim de uma era no Cartel de Sinaloa
O tribunal americano sentenciou Ismael "El Mayo" Zambada à pena máxima após acordos judiciais. A decisão marca um capítulo histórico contra o narcotráfico transnacional.
O chefão do narcotráfico mexicano Ismael "El Mayo" Zambada foi condenado à prisão perpétua nos Estados Unidos nesta segunda-feira (20). A decisão encerra um dos processos mais significativos contra grandes cartéis desde a condenação de Joaquín "El Chapo" Guzmán, refletindo o peso das acusações sobre o cofundador do Cartel de Sinaloa.
Ao se declarar culpado no ano passado, o criminoso evitou uma possível pena de morte, assumindo o comando de uma organização criminosa contínua e a responsabilidade pelo tráfico de milhões de quilos de cocaína ao longo de décadas. Como parte do acordo, o tribunal determinou o confisco de US$ 15 bilhões em lucros ilícitos, conforme informou o Departamento de Justiça dos EUA.
A sentença não é passível de recurso, consolidando o desfecho jurídico de uma carreira iniciada na década de 1980. O procurador-geral adjunto dos EUA, A. Tysen Duva, classificou a condenação como histórica, reiterando o compromisso de Washington em desarticular organizações que ameaçam vidas americanas.
Em um momento de reflexão diante do tribunal, Zambada pediu desculpas às famílias prejudicadas por suas ações. O réu fez um apelo direto aos jovens para que abandonem a criminalidade, afirmando que a violência, que ceifa inúmeras vidas, não oferece futuro, apenas prisão e morte. Sua fala ecoou o rastro de destruição deixado pelo Cartel de Sinaloa, cuja influência se estendeu pelo México e Estados Unidos.
A magistrada responsável pelo caso considerou, contudo, o estado de saúde do réu ao proferir a sentença. Registros médicos tornados públicos indicam um declínio das capacidades cognitivas do condenado. Em decisão técnica, a juíza determinou que o Departamento Federal de Prisões avalie cuidadosamente as condições de saúde de Zambada no momento de definir a unidade prisional onde a pena será cumprida.
Apesar da queda de um de seus pilares, a estrutura do Cartel de Sinaloa permanece fragmentada e ativa. Analistas do InSight Crime e do International Crisis Group alertam que a condenação de El Mayo pouco deve alterar a dinâmica de produção de drogas ou a violência local, visto que a organização opera hoje dividida em facções rivais, como "Los Chapitos" e "Los Mayos", que disputam o controle do território.
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