GOVERNO CORTA VERBAS

Hungria: Parlamento aprova corte de 40% nos próprios salários e benefícios

Deputados húngaros em sessão no Parlamento.
Parlamentares húngaros votam corte de salários em iniciativa do novo primeiro-ministro Péter Magyar.

Iniciativa do novo primeiro-ministro Péter Magyar visa reduzir custos e combater corrupção. Medidas entram em vigor no próximo mês e impactam também presidentes de comissões e reembolso de despesas.

Parlamentares na Hungria decidiram, em unanimidade, cortar em 40% os próprios salários e benefícios. A decisão, tomada nesta terça-feira, 09/06/2026, pelo Parlamento, atende a uma iniciativa do novo primeiro-ministro, Péter Magyar, que busca reduzir custos administrativos e dar um exemplo de austeridade. A medida é vista como um passo importante para combater a corrupção e restaurar a confiança pública no governo.

O chefe do governo húngaro acusou seu antecessor, Viktor Orbán, de inflar os vencimentos dos deputados para garantir apoio político. Agora, todos os 189 parlamentares presentes na sessão do Parlamento votaram a favor do projeto de lei apresentado pelo partido governista, Tisza. A nova legislação estabelece que o salário-base mensal dos parlamentares será reduzido a cerca de R$ 22 mil brutos, o equivalente a 1,3 milhão de florins húngaros, a partir do próximo mês.

Apesar da redução, o valor continua sendo quase o dobro do salário médio nacional. Anteriormente, sob o governo de Orbán, os salários dos deputados equivaliam ao triplo da média. O montante poderá aumentar para parlamentares que acumulam funções legislativas, como a participação em comissões.

Além do corte salarial, o reembolso de contas de telefone celular será extinto, e haverá reduções nos auxílios para aluguel de escritórios, moradia e contratação de funcionários. Segundo Magyar, as medidas de contenção permitirão economizar, ao longo do mandato de quatro anos, o equivalente a um ano inteiro de custos operacionais. A iniciativa visa recompor os cofres públicos, que, segundo o primeiro-ministro, teriam sido esvaziados por anos de suposta corrupção.

“Além de humanidade, trata-se de autocontenção e humildade”, afirmou Magyar em entrevista à emissora privada RTL no mês passado. Ele também sugeriu a redução dos salários de prefeitos, o que gerou resistência entre alguns líderes locais.

Péter Magyar, de perfil conservador e pró-União Europeia, chegou ao poder com a promessa de reformas amplas e combate à corrupção. Ex-aliado de Orbán, Magyar rompeu com o partido governista Fidesz após um escândalo de suposto encobrimento de abuso sexual em um abrigo para crianças. Ele denunciou corrupção sistêmica e o domínio de uma elite político-econômica, ganhando projeção nacional.

Desde então, o foco de Magyar tem sido questões do cotidiano, como inflação, baixos salários, a precarização da saúde e a corrupção. Estimativas apontam que a corrupção sistêmica pode ter custado à Hungria pelo menos 186 bilhões de euros durante os 16 anos de governo de Orbán. A iniciativa para analisar penduricalhos foi destacada em um contexto de investigações sobre o tema.

O órgão público autônomo criado em 2022 para combater a corrupção enfrentou, em janeiro de 2025, uma operação de busca em sua sede, com acusações contra seu chefe, Ferenc Bíró. Em entrevista, Bíró afirmou que o então ministro da Justiça o orientou a não cumprir suas funções, e que ele responde a um processo criminal por ter se recusado a obedecer a essa ordem.

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