IMPASSE NO COMÉRCIO
EUA decidem sobre novas tarifas ao Brasil nesta quarta-feira, 15
O governo brasileiro aposta na implementação gradual e na ampliação de exceções para mitigar os impactos econômicos de uma possível taxação.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aguarda a decisão da Casa Branca sobre a possível aplicação de novas tarifas contra produtos brasileiros, aguardando um processo de implementação cauteloso e uma lista extensa de exceções. O prazo final para que os Estados Unidos oficializem a medida termina nesta quarta-feira, 15.
A tensão comercial intensificou-se após o governo americano concluir, em 1 de junho, uma investigação que aponta práticas brasileiras, como desmatamento e o uso do PIX, como prejudiciais ao intercâmbio comercial. Em resposta, o Escritório de Comércio dos EUA (USTR) propôs taxas de 25% sobre mercadorias nacionais, além de um adicional de 12,5% relacionado a alegações sobre combate ao trabalho forçado.
Representantes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), do Ministério das Relações Exteriores (MRE) e da Assessoria Especial do Presidente da República reuniram-se pela quinta vez com o Representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, na terça-feira, 14/07/2026. O objetivo foi buscar alternativas diplomáticas para evitar que o tarifaço, que pode atingir US$ 15 bilhões em exportações, entre em vigor de forma irrestrita.
Interlocutores do Palácio do Planalto observam que, caso Donald Trump confirme as taxas, o cenário deve seguir os moldes do ano anterior, com um período de transição após o decreto. Empresas americanas que dependem de insumos brasileiros têm pressionado Washington, argumentando que a ausência de produtos do Brasil elevaria os custos no mercado doméstico dos EUA. O MRE mapeou pelo menos 43 associações comerciais americanas favoráveis à manutenção das exceções.
Diante do impasse, o governo brasileiro prepara uma resposta diplomática pautada na Lei de Reciprocidade, regulamentada em 2025. Embora o governo Lula planeje manifestar indignação oficial caso a taxação se concretize, a estratégia atual foca na análise técnica da decisão para avaliar possíveis retaliações ou novos contornos negociais. A diplomacia avalia que o presidente Lula não deve buscar diálogo direto com Donald Trump neste estágio, preferindo o trâmite técnico entre os órgãos competentes.
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