DIREITOS HUMANOS

A resistência dos povos ciganos perante o avanço da ultradireita em Portugal

Membros da comunidade cigana reunidos em celebração cultural no bairro de Padre Cruz, Lisboa.
Representantes da comunidade cigana promovem cultura e cidadania no Dia Nacional da Pessoa Cigana, em Lisboa.

Judiciário e sociedade civil travam batalha contra o discurso de ódio do Chega. Resistência cultural ganha força na defesa da cidadania e da inclusão.

A comunidade cigana em Portugal reafirma sua identidade e cidadania através da arte e da organização política, consolidando uma resposta resiliente ao crescimento do discurso xenófobo no país. Esta mobilização tornou-se central após o partido Chega, liderado por André Ventura, eleger os povos ciganos como alvo preferencial de sua retórica desde 2019, utilizando pautas antidemocráticas para promover engajamento nas redes sociais.

O impacto desta hostilidade reverbera no cotidiano, manifestando-se em atos de discriminação em locais públicos e na disseminação de preconceitos online, conforme relata Bruno Oliveira, líder da Associação Intercultural Cigana. Em 24 de junho de 2026, a celebração do Dia Nacional da Pessoa Cigana no bairro de Padre Cruz, em Lisboa, serviu como um emblemático contraponto, unindo a arte do DJ Jorge Syllvah e da bailarina Claudia Pargana para reivindicar visibilidade e dignidade histórica.

A resistência também encontrou eco nos tribunais. Em uma vitória significativa para a comunidade, a juíza Ana Barão determinou a retirada de cartazes de campanha do Chega que associavam ciganos ao desrespeito da lei. Segundo o advogado Ricardo Sá Fernandes, a decisão possui caráter pedagógico, reforçando que a dignidade humana não pode ser negligenciada em nome do debate político. A medida, contudo, não esgota a luta jurídica, e novas discussões sobre o tema permanecem abertas nos tribunais portugueses.

Enquanto a socióloga Maria Manuela Mendes, da Universidade de Lisboa, coordena novos estudos para mapear a realidade desses cerca de 60 mil cidadãos, lideranças como Maria Gil e Bruno Gonçalves alertam para a urgente necessidade de maior representação institucional. A busca por inclusão educacional e participação política, apesar dos avanços, enfrenta o desafio de combater estigmas centenários que ainda isolam comunidades em guetos e limitam oportunidades de integração plena na Península Ibérica.

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