ORIENTE

Petróleo reage a Trump sobre Irã; mercado em alerta por guerra e Ormuz

Vista aérea do Estreito de Ormuz, canal estratégico para o transporte de petróleo e gás natural.
Estreito de Ormuz

Declarações do presidente Donald Trump sobre o fim da guerra elevam cotações, mas bloqueio do Estreito de Ormuz e impasse nuclear mantêm incerteza global. Irã calcula prejuízo de US$ 270 bilhões.

Em 15 de abril, declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a possibilidade de encerrar o conflito com o Irã no Oriente Médio, provocaram uma reação nos mercados: os preços internacionais do petróleo subiram, mas permaneceram abaixo dos US$ 100. A movimentação ocorre em meio à crescente tensão na região, especialmente após Trump anunciar o bloqueio do estratégico Estreito de Ormuz no início da semana, intensificando a incerteza e o impacto na economia global, dependente do fluxo energético local.

Em entrevista a uma emissora de TV, com exibição prevista para 15 de abril, Trump declarou que o conflito com os iranianos estaria "perto do fim". Contudo, no início da semana, o próprio líder norte-americano já havia anunciado o bloqueio do Estreito de Ormuz, uma medida que elevou drasticamente a tensão e a incerteza na região.

O Estreito de Ormuz, um canal marítimo vital entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos, é reconhecido como o 'gargalo' energético mais crucial do planeta. Por ele passam entre 20% e 30% do petróleo mundial e uma parcela significativa do gás natural liquefeito (GNL), tornando-o indispensável para a estabilidade da economia global.

Mercado Reage a Notícias do Conflito

Nesta quarta-feira, 15 de abril, por volta das 8h15 (horário de Brasília), o mercado de petróleo reagiu às declarações de Trump. O barril de petróleo WTI (referência para o mercado norte-americano), com contrato futuro para maio, avançou 1,42%, sendo negociado a US$ 92,58. Simultaneamente, o barril de brent (referência internacional), para contrato em junho, subiu 1,36%, atingindo US$ 96,08. Esses movimentos ocorrem um dia após quedas expressivas: na terça-feira, 14 de abril, o WTI despencou 7,87%, fechando em US$ 91,28, enquanto o brent recuou 4,6%, para US$ 94,79.

Trump: Conflito com Irã ‘Muito Perto do Fim’

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, expressou na entrevista que vai ao ar em 15 de abril, sua convicção de que a guerra contra o Irã está 'muito perto do fim'. 'Acho que está perto do fim, sim. Vejo que está muito perto de terminar', declarou à Fox Business. Ele, no entanto, alertou que a confrontação ainda não se encerrou, afirmando: 'Se eu desistisse agora, eles levariam 20 anos para reconstruir aquele país. E ainda não terminamos. Veremos o que acontece. Acho que eles querem muito fechar um acordo.'

A expectativa é que as negociações cruciais entre os Estados Unidos e o Irã sejam retomadas em 16 de abril, quinta-feira, depois de uma tentativa frustrada de acordo no Paquistão, realizada no fim de semana de 11 de abril. O cerne do impasse reside no programa nuclear iraniano. A ausência de um consenso levou Trump a ordenar o fechamento total do Estreito de Ormuz, intensificando a pressão. Segundo o The New York Times, o Irã propôs suspender o programa por cinco anos, mas os EUA rejeitaram, exigindo uma paralisação de 20 anos. Em 13 de abril, segunda-feira, o vice-presidente J.D. Vance, à frente da comitiva norte-americana, declarou que o próximo passo para a paz compete ao Irã, apesar de as negociações terem 'apresentado algum progresso' sobre a questão nuclear.

Custo Humano e Material: Irã Estima Prejuízo Bilionário

O governo iraniano estima que o conflito com Estados Unidos e Israel já gerou prejuízos de aproximadamente US$ 270 bilhões, após 45 dias de intensos confrontos. A agência oficial iraniana Tasnim divulgou o valor em 14 de abril, terça-feira. A porta-voz do governo, Fatemeh Mohajerani, ressaltou que a cifra não é final, pois o levantamento de danos ocorre em várias etapas. O conflito, que começou em 28 de fevereiro, foi marcado por bombardeios de EUA e Israel a mais de 130 cidades iranianas, atingindo alvos militares e nucleares e resultando na morte do líder supremo Ali Khamenei. O Irã respondeu com ataques a bases americanas e aliados, como Bahrein, Catar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita. A Sociedade do Crescente Vermelho do Irã reportou que mais de 125 mil estruturas foram destruídas ou seriamente danificadas em áreas residenciais. Representantes iranianos e norte-americanos, em conversas mediadas pelo Paquistão em Islamabad, no sábado, 11 de abril, discutiram a possibilidade de reparações de guerra, um tema sensível nas negociações diplomáticas.

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