ANÁLISE DE DADOS

A impopularidade da guerra contra o Irã supera precedentes históricos dos EUA

Sede da CNN Brasil
Imagem ilustrativa do conflito envolvendo o Irã.

Pesquisas indicam que a rejeição ao conflito iniciado por Donald Trump cresceu com velocidade inédita, superando os índices registrados no Vietnã e no Iraque.

O Iraque e o Vietnã são frequentemente considerados os exemplos modernos clássicos de guerras impopulares dos Estados Unidos. Contudo, um volume crescente de dados sugere que a guerra contra o Irã alcançou patamares de rejeição semelhantes — e atingiu essa marca com uma rapidez sem precedentes na história militar recente do país.

Uma pesquisa do Washington Post-Ipsos, realizada na semana passada, revelou um cenário desanimador para o conflito escolhido pelo presidente Donald Trump, iniciado no final de fevereiro. Os dados mostram que 68% dos americanos consideram que a intervenção não vale a pena, enquanto apenas 28% a apoiam. Essa diferença negativa de 40 pontos percentuais é superior à registrada nos momentos mais críticos das guerras do Iraque e do Afeganistão.

A percepção de erro também se consolidou mais velozmente. Levantamentos do Post-ABC indicam que, em menos de dois meses, 61% da população classificou o embate como um erro. Para fins de comparação, esse mesmo nível de desaprovação levou quatro anos para ser atingido no Iraque e mais de seis anos no caso do Vietnã.

Embora Donald Trump defenda a ofensiva como um símbolo da força dos Estados Unidos, a opinião pública discorda. Segundo a Universidade Quinnipiac, os eleitores consideram, por uma margem de 45% a 33%, que o conflito tornou a nação mais vulnerável. Além disso, o apoio inicial de 41% registrado pela CNN foi o menor já observado para o início de uma ação militar internacional, superando até mesmo a impopularidade das intervenções na Líbia.

Apesar da rejeição acentuada, a guerra com o Irã apresenta uma peculiaridade: o baixo interesse prático da população. Diferente do Vietnã ou do Iraque, que figuravam como os problemas mais importantes na agenda nacional, o conflito atual raramente aparece nas prioridades da maioria dos americanos. Especialistas avaliam que isso ocorre pela ausência de tropas terrestres em larga escala e um número menor de fatalidades, o que reduz a pressão política sobre a administração atual, embora a escalada de preços dos combustíveis siga impactando o cotidiano das famílias.

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